Portugal entra em 2025 com sinais positivos no mercado laboral. Os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), analisados pela Randstad Portugal, revelam que o número de pessoas empregadas atingiu um novo recorde histórico: 5,18 milhões de profissionais com emprego no primeiro trimestre do ano. A taxa de desemprego, por sua vez, desceu ligeiramente para os 6,6%, refletindo uma dinâmica de crescimento sustentado, especialmente entre os jovens adultos.
Uma das tendências mais marcantes é a consolidação do teletrabalho, que já abrange 20,9% da população empregada — o que corresponde a mais de um milhão de pessoas. O fenómeno é particularmente significativo entre os profissionais com ensino superior, com 46,1% a trabalhar remotamente, e nos setores de tecnologias de informação, onde a taxa atinge os 79,8%. Lisboa lidera a distribuição regional, com mais de um terço dos profissionais em regime remoto.

Para Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, “assistimos a um aumento expressivo do emprego entre os jovens adultos, com mais 25 mil profissionais entre os 25 e os 34 anos a entrarem no mercado só neste trimestre, o que é um excelente indicador da atratividade e renovação do tecido laboral”. A responsável sublinha ainda a relevância crescente do modelo de trabalho flexível, que se assume como um fator crítico de motivação e retenção, sobretudo para os profissionais mais qualificados.
O crescimento do emprego foi impulsionado pelos setores da indústria (+31.800) e dos serviços (+16.300), ao passo que a agricultura registou a maior quebra (-10,9%). A faixa etária entre os 25 e os 34 anos liderou o aumento do emprego, com mais 58.000 jovens empregados face ao mesmo período de 2024. Já os grupos mais jovens (16-24) e os mais velhos (65+) apresentaram quedas, acentuando o envelhecimento estrutural da força de trabalho ativa.

Os dados mostram ainda uma evolução positiva nos contratos permanentes, com mais 55.300 contratos sem termo celebrados apenas neste trimestre, contrastando com a quebra de 22.000 contratos a termo. Em termos anuais, os contratos permanentes cresceram 3%, enquanto os com termo caíram 10,1%. Esta mudança poderá indicar uma maior confiança das empresas na estabilidade do mercado de trabalho, com reflexos positivos na segurança dos profissionais.
Os dados do primeiro trimestre de 2025 confirmam a consolidação de um novo paradigma laboral em Portugal, marcado por emprego estável, crescimento da contratação sem termo, maior presença dos jovens no mercado de trabalho e uma adesão crescente ao teletrabalho. Este conjunto de indicadores traduz um mercado que valoriza a flexibilidade, mas também a qualidade do vínculo laboral, preparando o país para os desafios de uma economia mais digital e sustentável.