O mercado imobiliário abranda em Portugal no início de 2026, mas as rendas continuam a subir e a pressão sobre a habitação mantém-se elevada.
O mercado imobiliário português registou uma ligeira descida nos preços de venda no primeiro trimestre de 2026, mas o arrendamento manteve a trajetória ascendente, num contexto de abrandamento das transações e persistente pressão sobre a oferta habitacional.
O preço médio nacional de venda da habitação fixou-se nos 3.633 euros por metro quadrado em março de 2026, o que representa uma descida de 0,4% face a janeiro, segundo os dados mais recentes do
Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças.
Apesar desta estabilização nos preços, os indicadores sugerem um abrandamento do mercado. O tempo médio de venda aumentou para 125 dias no caso das moradias e para 177 dias nos apartamentos, traduzindo subidas de 20% e 48%, respetivamente, face ao trimestre anterior.
Segundo Nuno Leal, co-CEO do Doutor Finanças, o setor entrou numa nova fase de maior racionalidade nas decisões de compra. “O mercado imobiliário entrou num novo ciclo: é hoje mais previsível, mas também mais exigente. O aumento do tempo de venda mostra que as decisões são mais ponderadas e que os compradores estão mais seletivos”, afirma.
No mercado de arrendamento, a pressão mantém-se elevada. O preço médio nacional subiu 0,6% entre janeiro e março, fixando-se nos 16,13 euros por metro quadrado, com Lisboa a liderar entre os mercados mais caros, ao atingir os 20,79 euros por metro quadrado.
O observatório indica ainda que o número de imóveis disponíveis no mercado caiu 2,6% no trimestre, passando de 75.648 para 73.683 unidades, reforçando a pressão sobre os preços. Para Nuno Leal, a escassez estrutural de oferta continua a ser um dos principais entraves ao equilíbrio do setor. “Sem mais casas disponíveis, o mercado continuará a pressionar as famílias e a dificultar o acesso à habitação dos portugueses”, sublinha.
A análise conclui que, embora o ritmo das transações esteja a desacelerar, a redução da oferta e a manutenção da procura continuam a impedir uma correção mais expressiva dos preços, sobretudo no segmento do arrendamento.