Metade dos trabalhadores insatisfeita com salário e benefícios
Empreendedor.com
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Mar 19, 2026
Metade dos trabalhadores está insatisfeita com salário e benefícios, afetando bem-estar e retenção de talento em Portugal.
Estudo revela impacto direto da compensação no stress, bem-estar e retenção de talento em Portugal.
Mais de metade dos trabalhadores portugueses está insatisfeita com o salário e o pacote de benefícios, segundo o estudo “O Estado da Compensação em Portugal 2026”, divulgado pela Coverflex.
De acordo com os dados, 48% dos inquiridos mostram-se insatisfeitos com o salário e 46,1% com os benefícios, num contexto em que a compensação assume um papel central na relação entre colaboradores e empresas. O estudo indica que esta insatisfação tem impacto direto no bem-estar e na intenção de permanência nas organizações.
A ligação entre compensação e saúde emocional é evidente. Entre os trabalhadores insatisfeitos, 76% afirmam ter sentido stress nos dias anteriores ao inquérito, enquanto níveis mais elevados de satisfação estão associados a maior perceção de felicidade. Menos de metade dos inquiridos (43,9%) considera ter rendimento suficiente para cobrir as suas necessidades.
Apesar de 64,1% dos trabalhadores já receberem benefícios extra-salariais — com valores médios entre 101 e 200 euros mensais — o estudo identifica um desalinhamento entre a oferta das empresas e as expectativas dos colaboradores. A falta de flexibilidade e de personalização dos benefícios surge como um dos principais fatores de insatisfação, com cerca de um terço dos trabalhadores a manifestar vontade de ter maior poder de decisão sobre o seu pacote de compensação.
Os dados mostram ainda que trabalhadores com acesso a benefícios flexíveis tendem a apresentar níveis mais elevados de satisfação e maior intenção de permanência. Benefícios como seguro de saúde, apoio ao bem-estar e soluções de poupança continuam a ser dos mais valorizados, mas ainda com níveis de adoção limitados.
Segundo Inês Odila, Country Manager da Coverflex em Portugal, “a forma como as empresas estruturam e comunicam a compensação tem um impacto direto na satisfação e na retenção dos colaboradores”, sublinhando a necessidade de modelos mais flexíveis e adaptados às diferentes fases de vida.
O estudo evidencia também diferenças de género na perceção da compensação, com as mulheres a reportarem níveis de satisfação inferiores, refletindo desigualdades salariais persistentes.
Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, os dados apontam para uma mudança estrutural: a compensação deixou de ser apenas salário e tornou-se um fator decisivo na experiência de trabalho, no bem-estar e na retenção de talento.
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