Nova operação de ransomware cresce com modelo mais atrativo para afiliados, aumentando o risco para empresas a nível global.
Uma nova operação de ransomware está a ganhar dimensão a nível global, impulsionada por um modelo de negócio mais competitivo que está a atrair operadores experientes e a acelerar o número de ataques a empresas.
De acordo com a
Check Point Research, o grupo conhecido como “The Gentlemen” tornou-se, em poucos meses, uma das operações mais ativas do mundo, com mais de 320 vítimas publicamente identificadas, incluindo 240 ataques registados apenas nos primeiros meses de 2026.
A análise aponta para uma escala ainda superior à divulgada, com os investigadores a identificarem um botnet com mais de 1.570 empresas comprometidas, evidenciando a dimensão real do fenómeno e o seu impacto potencial no tecido empresarial.
O crescimento acelerado da operação está associado a um modelo de Ransomware-as-a-Service que oferece condições financeiras mais atrativas aos afiliados. Segundo os dados divulgados, o grupo pratica uma divisão de receitas de 90/10 a favor dos executores dos ataques, acima do padrão de mercado, o que tem permitido captar operadores provenientes de outras redes criminosas.
Para Rui Duro, country manager da Check Point Software Technologies em Portugal, “operações que escalam não o fazem necessariamente por inovação técnica, mas por modelos de negócio mais atrativos”, sublinhando que a dimensão do grupo é superior àquela que é publicamente conhecida.
Os setores industrial e tecnológico surgem como os mais visados, com o setor da saúde a ganhar relevância entre os alvos, num sinal de que este tipo de operações está a alargar o seu âmbito a áreas críticas da economia.
Segundo a investigação, os ataques exploram sobretudo vulnerabilidades em sistemas expostos à internet, como VPNs e firewalls desatualizadas, o que indica que uma parte significativa do risco pode ser mitigada através de medidas básicas de segurança.
A evolução deste tipo de operações reforça a crescente profissionalização do cibercrime, com modelos organizados e orientados por incentivos económicos a intensificarem a pressão sobre empresas e infraestruturas críticas a nível global.