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O inchaço perigoso das Startups

Horácio Piriquito  Horácio Piriquito
  4 min

As Startups vieram para ficar e, reconheçamos, tornaram-se incontornáveis. Têm um potencial de percepção do futuro muito superior às tradicionais áreas de inovação dos grandes gigantes tecnológicos do Mundo, mas também são alvo da ganância e do dinheiro fácil.

Estamos a viver a era das Startups.?

São empresas jovens -? quase todas de jovens, e talentosos - que se tornaram no novo foco central dos investidores e da ambição.?Mas também da ganância e do dinheiro fácil.?

São o novo eixo global do desenvolvimento e da inovação e
vieram tomar o lugar dos departamentos de investigação dos grandes
conglomerados empresariais.?

Hoje, quase todas as grandes marcas globais ou grupos de investidores (vulgo Business Angels), em vez de investirem em investigação, compram Startups como quem vai ao supermercado.?

Há demasiadas afinidades com o crash bolsista de 1987 ou com o estoiro da bolha da internet em 2000

As Startups vieram para ficar e, reconheçamos, tornaram-se incontornáveis. Têm um potencial de percepção do futuro muito superior às tradicionais áreas de inovação dos grandes gigantes tecnológicos do Mundo.?Estes, por sua vez, tornaram-se incapazes de acompanhar internamente a velocidade tecnológica, sem a absorção, integração e?domínio das Startups.

Mas, sem?dramatizarmos, há algo que nos diz que poderemos estar de novo de regresso a uma moda insuflada, que terá que sofrer os seus reajustamentos e sofrerá também grandes decepções, com o decorrer?de todos?os vícios habituais dos mercados e das pessoas.?

Há demasiadas afinidades, por exemplo, com o crash bolsista de 1987, que começou em
Wall Street ou com o estoiro da bolha da internet em 2000.?

Exagero? Não me parece.?

Todos nos lembramos - pelo menos os já não tão novos - da
linguagem eufórica e descontrolada no pré crash bolsista de 1987.?

Dizia-se assim: “Compra Porto Cavaleiros! Porquê? Não sei,
dizem que é bom!”.?Ou “Compra Isar Rakoll ou Caima! Mas Porquê? Nunca ouvi
falar? Não faço ideia, mas deve ser bom, todos falam nisso!”

Foi assim que se chegou ao Crash de Outubro de 1987. Quem o
viveu recorda-se muito facilmente.?

Depois, em 2000, tivemos a crise das chamadas “dot com”. A narrativa, antes do estoiro,
era algo parecida.?

Dizia-se: "Não vais investir na?Boo.com? Mas essa
empresa dá prejuízos desde que nasceu e já absorveu milhões em investimento!
Nada disso, tens que te focar nos?lucros futuros, isso é que
interessa!”.??

“Podes também comprar acções da?Pets.com! Mas o que é
isso? Não te preocupes, não ouviste falar na?“Felicidade Perpétua”? Então
investe, a era dos prejuízos é do passado.??

Assim, chegámos ao estoiro das empresas da Internet na bolsa
em Março de 2000.

A revolução tecnológica tinha começado com o colapso de milhares
de empresas por todo o mundo! Todas inovadoras, disruptivas, visionárias e potenciais
excelentes negócios!


Estaremos perto do
colapso?

Nesta fase da euforia “startupiana”,
podemos questionar se estaremos próximo de um registo descontrolado, desregrado
e ganancioso, replicado das crises anteriores, embora sem grande exposição
bolsista??

Creio que sim.

A Bolsa oferece sempre uma dimensão, um tempo e uma dinâmica
negativa a estas coisas, quando chegamos ao momento do crash.

A alma da euforia?Startup ainda não está?plasmada nem viciada nos mercados bolsistas. Têm, por enquanto, outros caminhos!

O?impacto do nervosismo bolsista na moda das Startups pode acontecer apenas aos chamados Unicórnios, (vá-se habituando aos chavões nascidos da ganância!) que são empresas que de repente são “valorizadas” acima dos mil milhões de dólares e tendem a entrar também na Bolsa com os seus fulgurantes e mediáticos IPOs.?

O clima envolvente, a postura e a ganância são iguais, vinte ou trinta anos depois...?

Hoje, muitos dos investidores, sempre na corrida ao dinheiro fácil, não são muito diferentes. Já ouvi coisas muito parecidas com as pré-crises do passado e fiquei avisado.?

Por exemplo: “No meu portfólio de investimentos já tenho quinze empresas. Mas sei que doze ou treze delas vão falir. Com as duas ou três que se vão salvar, tenho que pagar os prejuízos das falidas, recuperar o meu dinheiro e ganhar uma pipa!”.?

O problema é exatamente este. O clima envolvente, a postura, a ganância, são sempre iguais, vinte ou trinta anos depois.?

Num futuro próximo, de quinze ou vinte Startups, apenas duas
ou três seguirão o seu caminho seguro. A diferença é que ninguém investirá
nas?outras dezasseis ou dezassete que, à partida, todos sabem que vão
falir.?

Agora ainda?investem. Porquê?

Pois, essa é a equação que o tempo e o mercado irão
resolver.


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Horácio Piriquito
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