Organizações de saúde têm mais pilotos de IA do que projetos reais

Empreendedor.com

  2 min
IA no setor da saúde enfrenta obstáculos: 76% das organizações têm mais pilotos do que projetos escaláveis, segundo relatório da Kyndryl.
Mais de três quartos das organizações de saúde têm mais projetos-piloto de IA do que conseguem escalar, segundo o Healthcare Readiness Report da Kyndryl, que aponta a regulação e a governação tecnológica como principais obstáculos.
As organizações de saúde estão a aumentar a utilização de inteligência artificial, mas continuam a enfrentar dificuldades para transformar projetos experimentais em soluções operacionais. A conclusão é do Healthcare Readiness Report, divulgado pela empresa tecnológica Kyndryl, que analisa o grau de preparação do setor para integrar IA em ambientes clínicos e operacionais.
Segundo o relatório, 76% das organizações de saúde afirmam ter mais projetos-piloto de IA do que iniciativas que conseguem implementar à escala, evidenciando um desfasamento entre ambição tecnológica e capacidade de execução.
A regulação surge como um dos principais fatores que explicam este fosso. O estudo indica que 55% das organizações manifestam preocupação em acompanhar a evolução das políticas e requisitos regulatórios, enquanto apenas 30% considera estar preparada para se adaptar a esse enquadramento.
Para Christine Landry, Global Vice President for Healthcare da Kyndryl Consult, a governação tecnológica tornou-se um elemento crítico à medida que a IA começa a integrar processos clínicos e operacionais. “As organizações de saúde operam num ambiente regulatório muito complexo e, com a IA a integrar fluxos clínicos e operacionais, a conformidade não pode ser um detalhe”, afirma.
O relatório sublinha ainda que 31% das organizações identificam as preocupações regulatórias e de conformidade como uma das principais barreiras à adoção da IA, dificultando a passagem da fase de experimentação para aplicações com impacto em toda a organização.
Segundo a Kyndryl, este desafio está a levar muitas instituições de saúde a investir em mecanismos mais robustos de governação e controlo da IA, procurando garantir que a utilização destas tecnologias respeita requisitos de segurança, proteção de dados e auditabilidade.
Apesar dos obstáculos, a empresa considera que a inteligência artificial continuará a desempenhar um papel central na modernização dos sistemas de saúde, apoiando análises clínicas avançadas, melhoria dos diagnósticos e maior eficiência operacional.