Valéria GravinoO legado que a Panair do Brasil deixa aos empreendedores e ao mundo empresarial atual é o espírito de comprometimento em prol de um objetivo em comum, através de muita luta, garra e perseverança.
A
história da aviação brasileira e mundial não é a mesma sem a companhia aérea
Panair do Brasil S.A.
Com
início de suas atividades na década de 30, tem suas atividades encerradas em
1965, através de uma falência decretada, de forma comprovada, pelo regime
ditatorial do Brasil nos anos 60, que hoje são relatados nos anais da Comissão
Nacional Da Verdade, dentro do Capítulo dos Empresários perseguidos pelo Golpe
Civil-Militar de 1964.
Tamanha
arbitrariedade praticada contra a empresa, seus funcionários e acionistas, uniu
e criou uma força de resistência nunca vista na história empresarial.
Um dos
inúmeros exemplos disso é o fato de seus antigos funcionários reunirem-se todos
os anos, há mais de 50 anos, com a companhia fechada, de forma ininterrupta
para celebrar a memória da aérea na data de seu aniversário.
Por
conta da associação de ajuda mútua nos anos sombrios, onde cerca de cinco mil
famílias ficaram desamparadas por conta do desemprego de seus antigos
colaboradores, ocasionado por desmandos políticos, eles se intitularam como ?“Família Panair”.
Ao longo de todos esses anos, os membros da Família Panair mantiverem sob sua posse inúmeros objetos de valor sentimental que serviram para compor a coleção que hoje faz parte do acervo da exposição “Nas asas da Panair”, que está em exibição no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro e faz parte de seu acervo permanente.
A
exposição, patrocinada pela Panair é também um movimento de resistência contra
os atos, arbitrários, que levaram a expropriação de seus patrimônios sofridos
durante a tentativa de aniquilação de sua memória no imaginário nacional.
Livros,
artigos, pesquisas e documentários cinematográficos trazem em seu conteúdo a
riqueza da história de uma empresa que deixou um incrível legado para o
desenvolvimento da nação brasileira.
O pioneirismo da Panair do Brasil encontra respaldo como uma companhia que atuava no lugar do Estado brasileiro naquilo em que ele era insuficiente, com afinco, como por exemplo, na integração da Amazónia com o restante do país e do mundo e na integração nacional como um todo; construindo e equipando aeroportos (inclusive para esforço de guerra); tornando suas agências no exterior como verdadeiras embaixadas brasileiras, suprindo a ausência destas, o pioneirismo tecnológico que trouxe avanços inestimáveis e outros incontáveis fatos históricos e de suma relevância para a história e para o mundo empresarial.
Empenhado na reconstituição desse valioso património, a diretoria da Panair do Brasil, à frente da memorável exposição, guiou a Família Panair para manter a custódia desse tesouro em seu devido lugar. A Família, hoje também composta por inúmeros simpatizantes da causa, concorre ao Guiness World Records como o “maior case de Recursos Humanos”, principalmente porque voltado à perpetuação da memória de uma empresa, que representa até os dias atuais, os anos dourados da aviação mundial e é símbolo de resistência e de modelo empresarial, tendo criado seu próprio padrão de qualidade, conhecido internacionalmente como “Padrão Panair”.
Esse é o
legado que a Panair do Brasil e sua família deixam aos empreendedores atuais,
contribuindo para a história e para o mundo empresarial: a manutenção do
espírito de comprometimento em prol de um objetivo em comum, através de muita luta, garra e perseverança.