Portugal sai do top 30 dos ecossistemas de startups no índice da StartupBlink, apesar de manter atratividade no Sul da Europa.
O Global Startup Ecosystem Index 2026 coloca Portugal no 31.º lugar mundial, numa descida de duas posições, apesar de o país manter sinais de atratividade internacional.
Portugal saiu do top 30 mundial dos ecossistemas de startups, segundo o
Global Startup Ecosystem Index 2026, divulgado pela
StartupBlink. O país ocupa agora o 31.º lugar global, duas posições abaixo do registado no ano anterior, com um crescimento anual de 7,2%, abaixo do ritmo de ecossistemas mais dinâmicos.
No Sul da Europa, Portugal mantém-se em 3.º lugar, atrás de Espanha, que ocupa a 13.ª posição mundial, e de Itália, no 25.º lugar. O país surge à frente de Chipre, Grécia e Malta. O relatório indica ainda que Portugal tem seis cidades no top 1.000 global, menos uma do que em 2025.
A StartupBlink considera que o ecossistema português é relativamente descentralizado, com Lisboa a apresentar uma pontuação total apenas 2,6 vezes superior à do Porto. Para a entidade, este perfil mostra que o país não tem ainda uma cidade com dimensão suficiente para se afirmar como centro nacional claramente dominante no plano global.
(tabela de Global Startup Ecosystem Index)
Lisboa continua a ser a principal cidade portuguesa no ranking e a única no top 100 mundial, mas desceu cinco posições, para o 92.º lugar, apesar de registar um crescimento de 4,5%. Entre as cidades do Sul da Europa, a capital portuguesa surge em 4.º lugar, atrás de Barcelona, Madrid e Milão.
O Porto também perdeu terreno. A cidade ocupa agora a 192.ª posição mundial, descendo 21 lugares face ao ano anterior, com uma variação negativa de 7,1%. O relatório assinala que o Porto se aproxima assim do limite inferior do top 200 global.
Em sentido contrário, Braga surge como a cidade portuguesa com maior crescimento entre as que integram o top 1.000. Apesar de recuar oito posições no ranking global, para o 484.º lugar, registou uma evolução de 26,4%. Aveiro também cresceu, com uma subida de 23,3%, embora tenha descido 28 lugares, para a 807.ª posição, num sinal de que outras cidades comparáveis avançaram mais rapidamente.
(infografia de Global Startup Ecosystem Index)
Apesar da perda de posições, o relatório identifica pontos fortes no ecossistema nacional. Portugal ocupa o 7.º lugar mundial na categoria de atividade da comunidade startup, indicador associado a eventos e envolvimento do ecossistema. Surge também em 10.º lugar na Europa em suporte ao ecossistema, refletindo a presença de aceleradoras, investidores, universidades e espaços de coworking.
Outro dado favorável é a atratividade. Portugal ocupa o 1.º lugar no Sul da Europa na categoria de atratividade do ecossistema, uma posição que a StartupBlink associa à presença de centros de investigação e desenvolvimento de multinacionais, credibilidade institucional e acessibilidade.
O relatório refere ainda que os setores mais fortes de Portugal são ecommerce e retalho e foodtech, ambos com o país no 28.º lugar mundial. Entre os marcos recentes do ecossistema português, a StartupBlink destaca a entrada em vigor da Agenda Nacional de Inteligência Artificial, com um compromisso de cerca de 466 milhões de dólares para infraestruturas e inovação em IA até 2030, a Lei das Startups, a Unicorn Factory Lisboa, a valorização da Sword Health, a entrada da Farfetch em bolsa e a chegada da Web Summit a Lisboa.
O Global Startup Ecosystem Index 2026 analisa ecossistemas de startups em cidades e países, com base numa metodologia própria que considera indicadores de quantidade, qualidade e ambiente de negócios. A leitura dos resultados deve, por isso, ser entendida como uma avaliação comparativa do desempenho dos ecossistemas e não como uma medida absoluta da sua qualidade.