Reforma sem plano financeiro preocupa portugueses, com 54% a anteciparem dificuldades financeiras no futuro.
Mais de metade dos portugueses antecipa dificuldades financeiras na reforma, mas a maioria continua sem planeamento estruturado para essa fase da vida. A conclusão consta do
Barómetro Doutor Finanças – Preparação da Reforma, estudo realizado pelo Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa, em colaboração com o Doutor Finanças.
De acordo com o estudo, 54% dos inquiridos esperam enfrentar dificuldades financeiras após deixarem a vida ativa. Ao mesmo tempo, 73% não sabem quanto precisam para manter o nível de vida depois da reforma e 65% nunca fizeram qualquer simulação da pensão. A reforma sem plano financeiro surge, assim, como uma preocupação crescente, num contexto em que a incerteza, o medo e a ansiedade se sobrepõem às perceções mais positivas associadas a esta fase da vida.
“Este barómetro mostra-nos que os portugueses estão mais conscientes, mas que isso ainda não se traduz em ação: não só continuam pouco preparados, como, em muitos casos, sem qualquer planeamento estruturado para a reforma”, afirma Sérgio Cardoso, Chief Education Officer do Doutor Finanças. O responsável acrescenta que, entre a pressão sobre o rendimento disponível e a falta de informação, há ainda “um caminho importante a fazer para transformar preocupação em decisões concretas”.
A desconfiança em relação ao sistema público de pensões contribui para agravar esta perceção de risco. Segundo o barómetro, 47% dos portugueses não acreditam que a Segurança Social consiga garantir o pagamento de pensões no futuro e 55% consideram que a pensão pública não será suficiente para manter o nível de vida.
A dificuldade em poupar é outro sinal relevante. Embora 68% dos inquiridos afirmem poupar para a reforma, apenas 34% o fazem de forma regular, enquanto 31% não poupam de todo. A principal barreira apontada é a falta de rendimento, acima de fatores como a falta de prioridade ou de disciplina.
Perante este cenário, 52% dos portugueses admitem continuar a trabalhar depois da idade da reforma, seja a tempo inteiro ou parcial, para complementar o rendimento. O estudo indica ainda que as mulheres revelam níveis mais elevados de medo e ansiedade face ao futuro, enquanto os mais jovens, entre os 25 e os 45 anos, mostram maior consciência e predisposição para poupar.
O Barómetro Doutor Finanças – Preparação da Reforma teve por base uma amostra de 700 residentes em Portugal, com 18 ou mais anos. O trabalho de campo decorreu entre 25 de fevereiro e 12 de março de 2026, através de entrevistas telefónicas, com margem de erro máxima de 4% para um nível de confiança de 95%.