Crescer nas empresas ganha força com profissionais a optarem pela permanência e desenvolvimento interno.
Os profissionais estão a privilegiar o crescimento dentro das empresas em detrimento da mudança de emprego, numa tendência que reflete uma alteração estrutural na forma como gerem as suas carreiras e que está a obrigar as organizações a rever estratégias de retenção.
Segundo o
Guia Hays 2026, 63% dos profissionais afirma estar satisfeito com o seu trabalho e 56% opta por permanecer na organização atual, sinalizando uma maior valorização da estabilidade, do desenvolvimento interno e do alinhamento com a cultura empresarial.
“Os profissionais já não procuram apenas o próximo passo, mas um percurso de carreira com sentido”, afirma Paula Baptista, Managing Director da Hays Portugal, sublinhando que fatores como ambiente de trabalho, confiança nas lideranças e oportunidades de desenvolvimento assumem um peso crescente nas decisões.
Esta mudança, frequentemente associada ao conceito de “quiet thriving”, traduz uma abordagem mais proativa ao percurso profissional, em que o talento procura evoluir dentro da organização, assumindo novos desafios e reforçando o seu envolvimento, em vez de procurar alternativas externas.
Os dados mostram que, uma vez asseguradas condições económicas base, os principais fatores de permanência passam pelo pacote de benefícios e rendimento estável (42%), segurança no emprego (41%), qualidade das relações no trabalho (33%) e equilíbrio entre vida pessoal e profissional (33%).
Para as empresas, esta tendência representa uma oportunidade estratégica para reforçar a retenção de talento e reduzir a rotatividade, ao mesmo tempo que aumenta a produtividade e a capacidade de execução.
Paula Baptista sublinha que “a retenção passa cada vez mais por uma proposta de valor consistente e integrada”, combinando benefícios, ambiente e oportunidades de crescimento, num contexto em que o papel das lideranças se torna determinante para identificar potencial e fomentar o desenvolvimento interno.
A evolução do mercado de trabalho sugere, assim, uma mudança de paradigma: mais do que competir pela atração constante de talento externo, as organizações passam a ganhar vantagem ao desenvolver e reter os seus próprios profissionais.