Qualidade dos dados na IA torna-se fator crítico, com empresas ainda dependentes de informação em papel.
A qualidade dos dados está a afirmar-se como um dos principais fatores críticos para o sucesso da inteligência artificial, num contexto em que muitas empresas continuam dependentes de informação em papel ou em formatos não estruturados.
Apesar da crescente adoção de tecnologias digitais, uma parte significativa dos dados empresariais permanece fora dos sistemas que alimentam modelos de IA, criando um bloqueio à sua utilização eficaz. Em Portugal, 11,5% das empresas já utilizam inteligência artificial e 37,5% recorrem a serviços de cloud, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), mas a base informacional continua fragmentada.
Este desfasamento entre ambição tecnológica e realidade operacional está a limitar o potencial de transformação digital nas organizações, num momento em que a fiabilidade dos dados se torna determinante para evitar erros e resultados imprecisos em sistemas inteligentes.
“A vantagem competitiva começa na qualidade dos dados”, afirma Jesús Cabañas, Regional Sales Manager para a Ibéria da
PFU (EMEA) Limited, acrescentando que “trabalhar com dados de baixa qualidade é como conduzir um Fórmula 1 a alta velocidade com visibilidade reduzida”.
O tema ganha relevância num mercado em crescimento. O setor de gestão eletrónica de documentos deverá expandir-se a um ritmo anual de 8,8% até 2031, segundo a 6Wresearch, refletindo a necessidade crescente de transformar informação dispersa em dados estruturados e utilizáveis.
A persistência de processos baseados em papel, desde contratos a registos operacionais, continua a ser um dos principais entraves à integração da IA nas operações empresariais. Em muitos casos, a digitalização limita-se à conversão de documentos em PDF, sem ganhos reais de eficiência ou capacidade analítica.
“Tudo o que não estiver digitalizado corre o risco de desaparecer”, sublinha Jesús Cabañas, referindo-se também ao impacto na preservação de informação crítica, incluindo arquivos históricos.
Perante este cenário, a transformação de documentos em dados estruturados começa a assumir um papel estratégico, não apenas como suporte tecnológico, mas como condição necessária para a competitividade num contexto cada vez mais orientado por inteligência artificial.