Jorge Andrês CorreiaO consumidor começa a ter um cuidado mais focado na marca como um todo e não só o produto ou serviço. As pessoas assumem a marca como sendo sua, como fazendo parte de si ou do seu quotidiano, sendo quase embaixadores da sua visão, missão e valores.
As marcas são cada vez mais pessoais. Ou deviam ser. O
consumidor começa a ter um cuidado mais focado na marca como um todo e não só o
produto ou serviço. As pessoas assumem a marca como sendo sua, como fazendo parte
de si ou do seu quotidiano, sendo quase embaixadores da sua visão, missão e
valores. Um panorama que obriga as marcas a saberem onde pisam e que caminhos
percorrem nas suas ações e decisões.
Vamos focar-nos no mais recente estudo levado a cabo pela Fleishman
Hillard, que analisou 300 empresas em cerca de 30 mercados. Ficou claro que
cerca de 70% dos consumidores têm uma preocupação acentuada em produtos e
serviços de empresas que zelam e gerem o seu impacto social e ambiental.
Outro ponto interessante foca-se na forma como as empresas
tratam os seus colaboradores. Os consumidores começam a analisar o que é
oferecido a quem trabalha em determinada empresa: as condições, se o lugar é
bom, se existem oportunidades e a satisfação dos mesmos.
A comunicação e o marketing, segundo o estudo, terão de
sofrer também uma alteração interessante. Se antes havia a curiosidade em se
conhecer os benefícios dos produtos e serviços, atualmente os consumidores
interessam-se da mesma forma pela credibilidade, pela transparência, pela
maneira como os seus líderes se comportam ou até como a empresa afeta a
sociedade e o meio ambiente onde se insere.
Se anteriormente as pessoas se preocupavam com os
produtos, atualmente preocupam-se muito mais com as pessoas.
Os consumidores procuram nas empresas que estas percebam as
suas necessidades, que reduzam ao máximo o seu impacto no clima, que pensem na
saúde dos seus clientes e funcionários e que contribua positivamente para a
sociedade em geral.
Do estudo, encontramos que 75% dos consumidores esperam que
os CEOs e líderes das empresas se foquem em questões reportadas pelos clientes,
nos produtos e serviços e igualmente pelo bem-estar dos seus funcionários.
Conseguir destacar-se da concorrência de forma legal continua a ser um ponto
forte.
Um dos pontos mais interessantes é perceber que apenas 47%
das atitudes dos consumidores estão relacionadas com a influência dos produtos
e serviços. Ficando 53% para as informações disponíveis sobe a gestão, atitudes
e quotidiano da empresa envolvendo questões sociais e ambientais.
Assim sendo, estes fatores, que se podem aplicar à maioria
do tecido empresarial, moldam as perceções e crenças dos potenciais clientes
sobre uma empresa. Conseguir enquadrar as expetativas de quem procura e as
experiências de quem oferece pode ser fulcral para perceber as melhores
estratégias.
Em termos de comunicação e
marketing, saber ouvir em vez de apenas falar é essencial. Os desafios da
digitalização e globalização tornam-se também oportunidades para explorar a voz
dos que até aqui não a conseguiam fazer ouvir. Torna-se num processo mais
moroso, mas que conseguirá, efetivamente, obter resultados palpáveis, voltando
ao terreno. E é no terreno que estão e estarão sempre os clientes.