O risco na cadeia de fornecedores está a consolidar-se como variável estratégica para as empresas, num contexto marcado por maior escrutínio regulatório, ciberameaças persistentes e cadeias globais cada vez mais interligadas. A conclusão resulta do
2026 Global Third-Party Risk Management Survey, divulgado pela KPMG e realizado junto de 851 organizações a nível mundial.
Segundo o relatório, um terço das organizações inquiridas registou perdas financeiras ou danos reputacionais nos últimos três anos associados a falhas de terceiros, enquanto 28% enfrentou disrupções na cadeia de abastecimento. Estes dados evidenciam que o risco na cadeia de fornecedores deixou de ser uma função operacional isolada para assumir impacto direto na continuidade do negócio e na estabilidade financeira.
A pressão regulatória e o risco cibernético destacam-se como os principais fatores de influência estratégica. De acordo com o estudo, 48% das empresas identifica o risco regulatório como prioridade e 45% aponta o risco cibernético como principal motor de investimento em programas de gestão de risco de terceiros. A multiplicação de exigências normativas em diferentes jurisdições tem vindo a reforçar a necessidade de maior controlo sobre fornecedores críticos.
Apesar do reforço de investimento em tecnologia e inteligência artificial, persistem fragilidades estruturais. Apenas 17% das organizações considera dispor de dados fiáveis para suportar decisões no âmbito da gestão de risco de terceiros, um indicador que limita a eficácia das ferramentas digitais e a capacidade de antecipação.
João Madeira, Partner de Advisory da KPMG em Portugal, recomenda que as empresas evoluam para modelos de negócio orientados para dados, “caso contrário estarão sujeitas a riscos emergentes, que poderão tornar-se depois mais graves”. O responsável acrescenta que “as entidades que liderarem esta transformação tornar-se-ão mais ágeis, seguras e competitivas, estando assim mais bem preparadas para enfrentar a volatilidade dos próximos anos.”
O relatório conclui que a integração entre a gestão de risco de terceiros e a gestão de risco empresarial será determinante para reforçar a resiliência organizacional. Num ambiente económico volátil, o risco na cadeia de fornecedores assume-se como fator crítico de competitividade e sustentabilidade a médio prazo.