O relatório Technology Foresight 2026 da NTT DATA aponta seis macrotendências que podem redefinir a estratégia empresarial na era da “inteligência em massa”.
A nova agenda tecnológica para 2026 deixa de estar centrada apenas na eficiência operacional e passa a incorporar um conceito mais estrutural: a suficiência. Esta é uma das principais conclusões do %LINK:https://pt.nttdata.com/insights/reports/ntt-data-technology-foresight;
Technology Foresight 2026%, divulgado pela NTT DATA, que identifica seis macrotendências com impacto direto na forma como as organizações planeiam o futuro digital.
Segundo o relatório, entramos na “era da inteligência em massa”, caracterizada pela integração generalizada de sistemas autónomos capazes de aprender, adaptar-se e agir com crescente independência. No entanto, o diferencial competitivo já não estará apenas na automação, mas na capacidade de orquestrar essa autonomia com intenção humana, propósito e responsabilidade.
“A ascensão da inteligência em massa convida-nos a trocar a aceleração por aquilo que realmente importa”, afirma Oliver Koeth, Managing Director da NTT DATA Germany, defendendo uma integração entre sistemas emocionalmente conscientes, computação soberana e infraestruturas fiáveis.
Autonomia, emoção e confiança digital
Entre as tendências identificadas, destaca-se o conceito de Human-Orchestrated Autonomy, que aponta para sistemas inteligentes capazes de operar em escala, mantendo alinhamento com metas empresariais e sociais. A autonomia deixa de ser apenas técnica e passa a ser estratégica.
Outra linha de evolução prende-se com a chamada Embodied Agency and Emotion. O relatório sugere que sistemas com capacidade de resposta emocional tenderão a integrar a infraestrutura social e empresarial, influenciando a experiência do utilizador, o bem-estar organizacional e a produtividade.
No domínio da segurança, a tendência Intelligence We Trust coloca a cibersegurança como camada adaptativa de confiança. Num ambiente em que a IA ganha autonomia, proteger a integridade, a rastreabilidade e o comportamento ético dos sistemas passa a ser uma prioridade estrutural, não apenas técnica.
Soberania tecnológica e infraestrutura inteligente
O relatório destaca ainda a emergência de um Sovereign Silicon Ecosystem, sublinhando que o domínio dos semicondutores se tornou vetor estratégico de soberania digital. A capacidade de desenvolver e controlar cadeias de valor end-to-end em chips e computação é vista como elemento central da resiliência nacional e empresarial.
Paralelamente, a tendência Informed Infrastructure descreve uma infraestrutura tecnológica que deixa de ser suporte passivo e se transforma em base ativa de inovação. Edge, cloud e dispositivos passam a operar de forma integrada e inteligente, otimizando desempenho, custos e sustentabilidade em tempo real.
Este ponto é particularmente relevante para empresas que procuram escalar operações digitais mantendo controlo financeiro e ambiental, num contexto de maior exigência regulatória e competitiva.
Da eficiência à suficiência
Talvez a mudança conceptual mais relevante do relatório seja a transição de uma lógica de eficiência isolada para um paradigma de suficiência. A tendência From Illusionary Efficiency to Sufficiency sugere que o crescimento sustentável exige mais do que ganhos operacionais: implica prosperar dentro dos limites ambientais, sociais e económicos.
Segundo Alberto Otero, responsável pela área digital da NTT DATA para a Ibéria e outras regiões, “o sucesso dos negócios não depende apenas da automação, mas da nossa capacidade de orquestrar sistemas autónomos para atuarem com empatia, transparência e soberania”.
Esta leitura coloca a tecnologia como instrumento de equilíbrio estratégico. A competitividade passa a depender da capacidade de integrar inteligência artificial, governança, sustentabilidade e propósito num mesmo modelo operacional.
O que muda para as empresas
Para as organizações, as seis macrotendências identificadas pela NTT DATA traduzem-se em três implicações centrais:
Primeiro, a necessidade de alinhar autonomia tecnológica com responsabilidade estratégica. Segundo, a urgência de reforçar soberania e resiliência digital num contexto geopolítico volátil. Terceiro, a integração da sustentabilidade como eixo estrutural e não apenas reputacional.
A nova agenda tecnológica para 2026 não se limita a antecipar tendências. Aponta para uma reconfiguração do modelo empresarial, onde aprender, desaprender e reaprender com velocidade deixa de ser vantagem competitiva e passa a ser condição de sobrevivência.