Tecnologia portuguesa reduz 72% do consumo energético na biotecnologia, com impacto direto nos custos industriais.
Uma solução desenvolvida pela spin-off DELOX permite reduzir até 72% o consumo energético na esterilização de biorreatores, um dos processos mais intensivos da biotecnologia industrial.
Uma tecnologia desenvolvida em Portugal pode alterar de forma significativa a estrutura de custos da biotecnologia industrial. A spin-off DELOX implementou um sistema de esterilização de baixo consumo energético que permite reduzir até 72% o consumo por ciclo em biorreatores de fermentação de precisão, substituindo os modelos tradicionais baseados em vapor.
A solução foi validada em ambiente operacional real na unidade de I&D do Food4Sustainability CoLAB, localizada no Ampliaqua, no âmbito da plataforma europeia Sustainable Foods-Testbeds, liderada pela BGI. Este tipo de infraestruturas permite testar tecnologias em contexto pré-comercial, reduzindo o risco associado à sua adoção industrial.
Tradicionalmente, a esterilização de biorreatores recorre a sistemas steam-in-place (SIP), que exigem elevados consumos energéticos e investimento em equipamentos dedicados à geração de vapor. A tecnologia desenvolvida pela
DELOX, baseada em peróxido de hidrogénio, elimina essa necessidade, reduzindo simultaneamente o consumo energético e o investimento inicial em infraestruturas.
O impacto é direto na viabilidade económica da fermentação de precisão, uma área em crescimento na produção de biofertilizantes, ingredientes alimentares e soluções para a agricultura sustentável. Ao reduzir custos operacionais e barreiras de entrada, este tipo de tecnologia pode acelerar a adoção industrial de processos biotecnológicos, sobretudo em mercados onde o custo energético é um fator crítico.
A validação no ecossistema do Ampliaqua reforça a maturidade da solução. Esta infraestrutura, baseada em modelos de aquacultura multitrófica integrada, permite testar tecnologias ligadas à bioeconomia circular em condições próximas das operações industriais, facilitando a sua transição para o mercado.
A tecnologia já está a ser utilizada em projetos de desenvolvimento de biofertilizantes e bioestimulantes destinados a aumentar a resiliência das culturas agrícolas a fatores como seca, salinidade e temperaturas extremas, desafios particularmente relevantes no contexto mediterrânico.
O caso evidencia também o papel crescente dos testbeds europeus na aceleração da inovação. Ao permitir validar soluções em ambiente real antes da sua escalabilidade, estas plataformas reduzem o risco tecnológico e encurtam o tempo entre desenvolvimento e adoção industrial.
Num setor onde o consumo energético e o investimento inicial continuam a ser obstáculos à expansão, soluções como a desenvolvida pela DELOX apontam para uma nova geração de processos mais eficientes, com impacto direto na competitividade da biotecnologia europeia.