Uma em cada quatro empresas prevê queda de faturação
Empreendedor.com
Economia
8 Abr 2026
Empresas portuguesas esperam queda de faturação em 2026 registando o maior pessimismo na Europa.
Cerca de uma em cada quatro empresas portuguesas prevê uma quebra de faturação em 2026, num contexto em que Portugal surge como o mercado mais pessimista da Europa em termos de crescimento e rentabilidade.
Segundo o mais recente barómetro europeu da ERA Group, 23% das empresas em Portugal antecipam uma redução das receitas, refletindo uma deterioração significativa das expectativas face ao ano anterior. A percentagem de organizações que espera crescimento caiu de 63% para 39%, evidenciando uma mudança no sentimento empresarial.
Este pessimismo contrasta com outros mercados europeus, como Espanha, Suécia e Reino Unido, onde as perspetivas se mantêm mais positivas. Ainda assim, 57% das empresas portuguesas preveem um aumento do EBITDA, embora este valor permaneça abaixo da média europeia de 62%.
O estudo, baseado num inquérito a mais de mil líderes empresariais, aponta para um contexto económico exigente, marcado por pressões inflacionistas, impactos climáticos estimados em cerca de dois mil milhões de euros e instabilidade geopolítica associada ao conflito no Médio Oriente.
Perante este cenário, as empresas estão a adotar uma postura mais defensiva, privilegiando a eficiência e o controlo de custos. A otimização de custos (41,5%), o investimento em tecnologias como a inteligência artificial (39%) e a adoção de práticas sustentáveis (39%) surgem como principais prioridades.
Os desafios persistem, nomeadamente ao nível do aumento dos custos tecnológicos, apontado por 40% dos decisores como o principal obstáculo à obtenção de melhores resultados — um valor acima da média europeia (29%). A escassez de mão-de-obra qualificada continua também a pressionar as organizações, sendo referida por 37% dos inquiridos.
Segundo João Costa, country manager da ERA Group, “as empresas mais resilientes serão aquelas capazes de transformar o controlo de custos em capacidade de reinvestimento”, sublinhando a necessidade de adaptação a um ambiente económico mais volátil.
Num contexto de incerteza, as empresas portuguesas reforçam uma abordagem seletiva ao crescimento, com maior foco na rentabilidade, sustentabilidade e reforço da competitividade num mercado cada vez mais exigente.
É bom celebrar o sucesso, mas é mais importante aprender com os fracassos