Pandemia fortaleceu relações virtuais com influenciadores

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O poder dos influenciadores continua a crescer em todo o mundo. No estudo desenvolvido pela Kaspersky, a empresa especialista em cibersegurança e privacidade digital as relações que se desenvolvem com qualquer personalidade mediática, real ou fictícia – e que através da interação nas redes sociais, percebemos como uma pessoa muito próxima de nós -, continuam a crescer em todo o mundo.

O estudo “Our Changing Relationship with Social Media” contou com a participação de mais de 15.000 pessoas em 25 países, e a sua divulgação em Portugal coincide com a campanha de estreia de “The Social Dilemma” na Netflix. O documentário-drama explora o impacto humano perigoso do relacionamento através das redes sociais. Com este estudo a Kaspersky pretende alertar os utilizadores para os perigos das redes sociais e promover o uso equilibrado e seguro destas plataformas.

Este estudo de âmbito global concluiu que quase metade (47%) dos utilizadores das redes sociais acredita que os influenciadores que seguem online lhes proporcionam uma forma de “fugir à realidade”. Mais de um em cada cinco inquiridos (21%) acredita que “podem ser amigos” dos influenciadores que seguem, enquanto cerca de 22% chegaram ao ponto de enviar uma mensagem privada a um influenciador.

“as barreiras entre a vida real e a vida digital têm-se esbatido, por vezes de forma muito perigosa”

Foto de Mateus Campos Felipe no Unsplash

De acordo com a psicóloga Filipa Jardim, “o digital tem ganho um espaço crescente nas nossas vidas nos últimos anos. A Pandemia e o isolamento imposto durante um ano e meio tornou o online um escape sedutor, que se por um lado nos permitiu manter conectados com o mundo, por outro lado fomentou desconexão de nós mesmos. Através dos comportamentos observados e relatos partilhados, percebe-se que as barreiras entre a vida real e a vida digital se têm esbatido, por vezes de forma muito perigosa. Confunde-se “likes” com intimidade, faz-se de um influenciador um suposto amigo próximo, espreita-se o mundo através dos conteúdos digitais partilhados e vive-se menos com os cinco sentidos.”

Durante os sucessivos confinamentos, muitas pessoas passaram longos períodos em casa e recorreram a ‘companheiros virtuais’ para substituir a vida social que tinham. Este tipo de relações unilaterais ganhou uma forte influência sobre muitos utilizadores. Cerca de 71% dos inquiridos no estudo da Kaspersky afirmaram que aprendem com os influenciadores que seguem em áreas como a saúde, hobbies, moda e notícias. Cerca de 23% dizem ser ‘dependentes’ do conteúdo dos influenciadores e, 10% afirma mesmo que tem uma sensação de ausência se não se envolverem com os influenciadores, quer através de comentários aos posts (37%) ou de reações às suas stories (37%).

o medo de sentir-se excluído alimentam estes comportamentos”

Filipa Jardim reforça que “de uma forma geral, o medo de sentir-se excluído, a par de dificuldades de autocontrolo, alimentam estes comportamentos de uso excessivo da internet e das redes sociais. Em alguns casos pode mesmo apelidar-se de adição – às redes sociais, ao telemóvel, à Internet. O impacto neurofisiológico de outras formas de adição é semelhança à ativação cerebral que se verifica na adição à tecnologia e ao estar permanentemente ligado. E é neste contexto que surgem transtornos como a Nomofobia (dependência do smartphone) ou FOMO (Fear of Missing Out), uma forma de ansiedade social que consiste numa preocupação constante de poder perder uma oportunidade de interação social virtual.”

Foto de AQVIEWS no Unsplash

No entanto, as redes sociais têm sido importantes para muitas pessoas durante a pandemia, com 59% dos utilizadores a afirmarem que as redes sociais lhes proporcionaram uma ligação vital durante o período de pandemia. Este número foi mais elevado entre as pessoas mais jovens entre os 18-34 anos (71%), que dependem das redes sociais para se conectarem.

O estudo foi conduzido pela Opinium Research entre 18-31 de Maio de 2021. A Opinium pesquisou 15.682 adultos em 25 países, incluindo Alemanha, Austrália, Áustria, Argentina, África do Sul Brasil, Colômbia, Chile, Dinamarca, Espanha, EAU, EUA, França, Holanda, Hungria, Itália, Japão, México, Peru, Reino Unido, República Checa, Rússia, Singapura, Turquia e Vietname.

Em Portugal, a Kaspersky vai juntar a influenciadora Rita Serrano, e a psicóloga Filipa Jardim da Silva, para discutirem os perigos das redes sociais, num debate em direto nas página de Instagram das participantes, que está agendado para o dia 18 novembro.

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