Porque estão os CEOs a optar por espaços de trabalho flexível?

Imagem de Rahul Top por Pixabay

A palavra-chave é flexibilidade. Depois da disrupção provocada por um ano e meio de pandemia, o mercado de trabalho está pronto a reinventar-se através de novos modelos organizacionais – alguns destes com impacto direto na reestruturação do espaço físico das empresas. Numa primeira fase, pensou-se que o teletrabalho seria a cura para todos os males.

Espaços de trabalho flexível: a nova ordem nas empresas

Atualmente, essa ideia evoluiu para um posicionamento que rompe com o passado e com o conceito de escritório tradicional, mas apresenta outra solução para lá do teletrabalho: os espaços de trabalho flexível.

Foram as lições da pandemia e a experiência coletiva do último ano que nos trouxeram até aqui. Mas, curiosamente, essa importância já vinha sendo refletida no mercado imobiliário pré-pandemia. Entre 2014 e 2019 este tipo de produto cresceu 25%. A valorização neste mercado é um fator importante que também entra nesta equação – porque é de empresas e negócios que estamos a falar.

“O Futuro de Tudo”

A mudança de paradigma é evidente e consolidou-se com a ressaca da pandemia. Depois de mais de um ano a trabalhar em casa ou em formato híbrido, muitas empresas e funcionários estão a repensar o regresso ao escritório em regime presencial a tempo inteiro. Na verdade, chegaram todos à conclusão de que a ideia de “trabalho no escritório” foi ultrapassada pela realidade – que revelou uma excelente adaptação a outros formatos de trabalho, onde todos ganham. 

Foto de CoWomen no Unsplash

Na conferência “O Futuro de Tudo”, do Wall Street Journal, o CEO da empresa de cowork WeWork, Sandeep Mathrani, referiu que os funcionários “dizem que querem voltar ao escritório dois a três dias por semana, querem trabalhar da sua zona de conforto um ou dois dias, querem trabalhar de casa um dia”.

Mathrani frisou que há a consciência “de que o teletrabalho não substitui aspetos únicos do ambiente de escritório, como as trocas de ideias nos corredores e as opiniões improvisadas no decorrer de um projeto”, tendo ainda acrescentado que “se queremos uma cultura inovadora e de colaboração, o escritório é uma parte importante do que se faz”. E por isso, diz, é que “todos os CEO estão a falar de trabalho flexível.”

Espaços de trabalho flexíveis

Os espaços de trabalho flexível já chegaram a Portugal. O cowork em Lisboa já é um fenómeno e os espaços de coworking em Lisboa já conquistaram profissionais independentes e empresas.

Para estas, a aposta em espaços de trabalho flexível faz todo o sentido: oferecem custos fixos reduzidos, mais flexibilidade na contratualização dos espaços, otimização de recursos e colaboradores felizes.

Para estes, proporciona-se um maior engajamento com a empresa, através dos seus colegas, equipas e projetos, e a possibilidade de conciliar melhor a vida profissional e familiar.

Foto de Austin Distel no Unsplash

O espaço de trabalho flexível é o novo escritório, onde os funcionários irão várias vezes por semana – mas não necessariamente todos os dias. O que se procura na pós-pandemia são espaços com mais luz e limpeza, open spaces que potenciam a colaboração e o networking.

Um estudo paradigmático

Em 2020 a consultora imobiliária Savills lançou o Savills Office Fit, para responder à pandemia da COVID-19.

A ideia era, perante a crise, partilhar com os seus clientes insights e conselhos. Este ano, o escritório de Lisboa da empresa britânica publicou um estudo com conclusões sobre as mudanças registadas em Portugal a nível de trabalho.

As conclusões são paradigmáticas: Apenas 5% a 10% dos trabalhadores que participaram neste estudo fazia teletrabalho antes da pandemia da COVID-19;

65% dos participantes neste estudo aponta que uma gestão eficiente do fluxo de trabalhadores no escritório confere mais confiança e segurança no regresso ao trabalho;

90% dos colaboradores inquiridos neste estudo admitem que gostariam de fazer teletrabalho no mínimo uma ou duas vezes por mês. 2%, por outro lado, elegem o trabalho a full time no escritório como o seu formato preferido;

Foto de Vladimir Proskurovskiy no Unsplash

O estabelecimento de regras de higienização nos locais de trabalho é um fator importante para os trabalhadores neste regresso ao escritório;

87% dos inquiridos no estudo considera que a manutenção de um espaço físico é importante para o bom funcionamento da empresa / organização;

48% dos trabalhadores inquiridos acha relevantes as iniciativas da empresa que fomentem o bem-estar e os cuidados de saúde, considerando ainda que estas podem também ser importantes para devolver a confiança e a operacionalidade necessárias no formato de trabalho presencial.

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Sempre gostou de contar histórias através da escrita e o seu interesse por tecnologia ajudou a fazê-las chegar a mais pessoas, aproveitando o aparecimento dos blogues em 2003. Foi editor da revista SURFPortugal onde criou conteúdos, escreveu crónicas, notícias e viajou muitas vezes para produzir reportagens sobre pessoas, lugares e eventos. Em 2010, cofundou uma agência de conteúdos onde se interessou por novas linguagens como o vídeo e a fotografia, atuando em áreas como a música, a arte e o desporto, com alguns dos mais conceituados nomes e para algumas das melhores marcas.

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