Um estudo da Randstad revela que, para 51% dos profissionais em Portugal, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é hoje mais determinante para permanecer no emprego do que o salário.
Os resultados do Workmonitor 2026 traçam um retrato de profunda transformação no mercado de trabalho português, marcado por novas prioridades do talento e por um desalinhamento crescente entre empresas e trabalhadores. Segundo o estudo, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal é o principal fator de retenção para a maioria dos profissionais, superando a remuneração e a segurança no emprego, num sinal claro de mudança nas expectativas em relação ao trabalho.
A autonomia surge igualmente como um elemento crítico. Metade dos profissionais inquiridos em Portugal afirma já ter abandonado um emprego por falta de independência concedida pelas chefias, enquanto mais de 40% rejeitaria uma nova função sem flexibilidade de horário ou de local de trabalho. Entre os mais jovens, a tendência é ainda mais evidente, com uma parte significativa a preferir percursos profissionais não lineares e maior controlo sobre a sua carreira.

O estudo identifica também um fosso relevante na adoção da inteligência artificial. Embora 89% das empresas em Portugal planeiem reforçar o uso de IA nos próximos 12 meses, apenas 50% dos profissionais considera ter as competências necessárias para acompanhar essa evolução. Apesar de a maioria reconhecer que a tecnologia pode melhorar a produtividade, uma parte significativa do talento receia que os benefícios se concentrem sobretudo nas empresas, aumentando a pressão para a requalificação e adaptação de competências.
“O mercado de trabalho atravessa um momento de pressão e transformação profunda. A inteligência artificial não deve ser vista como uma ameaça de substituição, mas como uma ferramenta de aumento de tarefas, permitindo que as pessoas se foquem em funções onde o toque humano é insubstituível”, afirma Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad. Para a responsável, o sucesso das organizações dependerá cada vez mais da capacidade de oferecer autonomia ao talento e de promover modelos de colaboração eficazes num contexto de mudança acelerada.







