A integração acelerada da Inteligência Artificial, a escassez de talento e a crise de liderança vão redefinir o mundo do trabalho em 2026, mas o fator humano continuará a ser o principal motor de criação de valor nas organizações, conclui um estudo do ManpowerGroup.
O relatório “A Força da Humanidade”, apresentado pelo ManpowerGroup no contexto do Fórum Económico Mundial, identifica quatro forças estruturais que estão a moldar o futuro do trabalho: super equipas híbridas, reaprendizagem rápida, normas em transformação e crise de sucessão. A análise baseia-se em inquéritos a mais de 12.000 trabalhadores e 40.000 empregadores, em 41 países, e aponta para uma reorganização profunda dos modelos de trabalho e de gestão de talento.
Segundo o estudo, a adoção da IA está a evoluir de um uso pontual para uma integração estratégica nos fluxos de trabalho, dando origem a equipas híbridas que combinam pessoas, tecnologia e trabalho independente. Ainda assim, o ManpowerGroup alerta para os riscos de uma automação orientada apenas pela redução de custos, defendendo a necessidade de supervisão humana para evitar perdas de conhecimento crítico e falhas operacionais.

A capacitação contínua surge como outro eixo central. A literacia em IA e o upskilling tornam-se competências transversais, num contexto em que as funções evoluem rapidamente e em que as chamadas competências humanas — como julgamento ético, empatia, criatividade e resolução de problemas complexos — ganham peso face às competências técnicas mais facilmente automatizáveis. De acordo com o estudo, sete das dez competências com maior crescimento até 2030 são interpessoais.
O relatório destaca ainda sinais de tensão nos modelos organizacionais, nomeadamente o regresso a políticas rígidas de trabalho presencial, que tendem a dificultar a atração e retenção de talento. Em paralelo, a perda de confiança em líderes, instituições e sistemas tradicionais está a levar as empresas a assumirem um papel mais ativo como fontes de informação e estabilidade para colaboradores e parceiros.

Em Portugal, o ManpowerGroup sublinha o impacto do envelhecimento da força de trabalho, com 77% dos empregadores a reconhecerem que este fator já influencia a sua estratégia de recrutamento. A escassez de líderes disponíveis e a menor apetência das novas gerações por cargos de chefia reforçam, segundo o estudo, a urgência de desenvolver lideranças capazes de integrar tecnologia e talento humano de forma sustentável.
Para Rui Teixeira, Diretor Geral do ManpowerGroup Portugal, “num contexto de investimento crescente em Inteligência Artificial, o sucesso passa por capacitar as pessoas e construir forças de trabalho híbridas que combinem tecnologia e competências humanas”, defendendo uma abordagem centrada na confiança, na aprendizagem contínua e na liderança responsável.






