Escassez de talento torna contratação um risco estratégico em Portugal

O Guia Hays 2026 revela um desfasamento histórico no mercado de trabalho em Portugal, tornando a contratação um risco estratégico para as empresas.

Criatividade para promover o desenvolvimento
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O mercado de trabalho qualificado entra em 2026 com um desfasamento histórico entre empresas e profissionais, com 87% das organizações a querer recrutar e apenas 67% dos candidatos disponíveis para mudar, segundo o Guia Hays 2026.

O mercado de trabalho qualificado em Portugal enfrenta em 2026 um dos maiores desequilíbrios das últimas décadas, com a intenção de recrutamento das empresas a atingir máximos históricos e a disponibilidade dos profissionais a manter-se limitada. De acordo com o Guia Hays 2026, 87% das empresas pretendem contratar ao longo do próximo ano, enquanto apenas 67% dos profissionais admitem procurar uma nova oportunidade, criando um desfasamento de 20 pontos percentuais, o mais acentuado desde 2011.

Este desequilíbrio está a transformar a contratação num risco estratégico para as organizações, com impacto direto na execução de projetos e na competitividade. Segundo Paula Baptista, diretora-geral da Hays Portugal, “quando 87% das empresas querem recrutar e apenas dois terços dos profissionais estão disponíveis para mudar, contratar deixa de ser uma intenção e passa a ser um risco estratégico”.

O poder de decisão está cada vez mais do lado dos profissionais. Em 2025, 52% dos candidatos recusaram pelo menos uma oferta de emprego, sendo o salário o principal motivo de rejeição, apontado por 62% dos inquiridos. A transparência salarial surge como fator crítico, com 85% dos profissionais a afirmarem sentir-se mais motivados a candidatar-se quando a remuneração é indicada no anúncio.

O relatório destaca ainda a formação como elemento central num mercado marcado pela escassez de talento. Apesar de a maioria das empresas afirmar investir em desenvolvimento, 31% dos profissionais refere não receber qualquer apoio à melhoria de competências. O upskilling e o reskilling assumem, assim, um papel decisivo na atração e retenção de talento.

A inteligência artificial já é utilizada por mais de 60% dos profissionais e empregadores, gerando ganhos em produtividade e eficiência, mas a falta de formação estruturada continua a limitar uma adoção consistente e estratégica. Num contexto de escassez de talento, a Hays sublinha que a competitividade das empresas dependerá da capacidade de alinhar salários, formação e tecnologia numa proposta de valor clara e credível.

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