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Defesa e capital de risco convergem num mundo geopolítico instável

Empreendedor.com Editor  Empreendedor.com Editor
  4 min

O investimento em defesa e geopolítica está a aproximar o capital de risco da economia de defesa, alterando critérios de decisão e liderança na Europa.

Num contexto internacional marcado por conflito e instabilidade, o capital de risco europeu começa a alinhar-se de forma explícita com a economia da defesa. Mais do que uma moda setorial, a crescente convergência entre investidores e tecnologias de defesa revela uma mudança estrutural nos critérios de decisão, onde soberania, segurança e geopolítica passam a pesar tanto quanto o retorno financeiro.

A convergência entre defesa e capital de risco deixou de ser um movimento periférico para se afirmar como uma tendência estrutural do ecossistema europeu de inovação. Análises recentes publicadas pela Sifted mostram que um número crescente de investidores está a incorporar tecnologias de defesa e de uso dual nas suas teses. Mais do que entusiasmo setorial, este reposicionamento reflete um ajustamento profundo do capital a um contexto internacional marcado por instabilidade, conflito e revalorização da soberania estratégica.

Foto de Seventyfour em Freepik

Quando a geopolítica redefine os critérios de investimento

Os dados confirmam que a narrativa dos investidores tem correspondência nos fluxos reais de capital. De acordo com o relatório State of Defence Tech 2025, da Dealroom, o investimento de capital de risco em tecnologias de defesa na Europa cresceu 132% num único ano, atingindo 1,5 mil milhões de dólares até setembro. Esta evolução está diretamente associada à guerra na Ucrânia e ao reforço dos compromissos europeus com a defesa, incluindo o aumento dos orçamentos nacionais para níveis próximos ou superiores a 2% do PIB.

Este crescimento revela uma alteração relevante nos critérios de decisão dos investidores. Setores tradicionalmente vistos como lentos, altamente regulados e dependentes do Estado passam a ser encarados como áreas de procura estruturalmente sustentada. O investimento em defesa e geopolítica surge, assim, menos como uma aposta oportunista e mais como uma resposta estratégica a riscos sistémicos que afetam cadeias de valor, segurança energética e autonomia tecnológica.

Foto de Cholisprayogi99 em Freepik

A fricção entre a lógica venture e a lógica da defesa

Esta convergência expõe, contudo, uma tensão difícil de resolver. O modelo clássico do capital de risco assenta na experimentação rápida, na tolerância ao erro e em ciclos curtos de validação. Já a economia da defesa é moldada por processos de aquisição pública longos, elevados requisitos de fiabilidade e uma aversão estrutural ao fracasso. Vários investidores citados pela Sifted reconhecem esta fricção, alertando para o risco de fundos generalistas adotarem o discurso da defesa sem experiência operacional ou redes consolidadas no setor.

Para fundadores e gestores, o desafio passa por equilibrar expectativas de crescimento com exigências acrescidas de compliance, governação e credibilidade institucional. Para os investidores, coloca-se a questão central de saber até que ponto a lógica venture pode ser aplicada a domínios onde o tempo político e regulatório pesa mais do que a velocidade de mercado.

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Foto: ESA

Defesa, espaço e soberania como eixo estratégico

Outro sinal desta transformação é a convergência entre tecnologias de defesa, espaço e infraestruturas críticas. A defesa deixa de se limitar a sistemas convencionais e passa a integrar domínios como comunicações por satélite, inteligência em tempo real e sistemas autónomos. Este cruzamento reforça a ideia de que o investimento em defesa e geopolítica está intimamente ligado à ambição europeia de soberania tecnológica, aproximando empresas, Estados e alianças militares num mesmo ecossistema estratégico.

Neste contexto, a emergência de polos fora do eixo tradicional Londres–Paris–Berlim ganha particular relevância. O relatório da Dealroom indica que Lisboa surge no Top 10 das cidades europeias em captação de capital de risco para defesa desde 2019, um sinal de que a geografia do investimento começa a diversificar-se, acompanhando a maturação do setor no sul da Europa. A consolidação de scaleups como a Tekever, que atingiu o estatuto de unicórnio em 2025, ilustra esta dinâmica, ainda que a defesa represente uma fatia relativamente modesta do total do investimento europeu.

Foto de Tekever

O capital como indicador político

Mais do que uma eventual “bolha”, o atual interesse do capital de risco pela defesa deve ser lido como um indicador político e estratégico. O capital está a seguir a geopolítica porque reconhece que, em determinados domínios, segurança, autonomia e resiliência passaram a condicionar o crescimento económico. Para líderes empresariais e investidores, a mensagem é clara: as decisões de investimento deixaram de ser neutras. Num mundo fragmentado, o capital continua a procurar retorno, mas fá-lo cada vez mais alinhado com prioridades estratégicas dos Estados e com a redefinição das fronteiras entre mercado, política e segurança.


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