Mercado de trabalho mantém saldo positivo, mas contratações abrandam no 3.º trimestre, segundo o ManpowerGroup Employment Outlook Survey.
As empresas portuguesas continuam a prever reforço de equipas entre julho e setembro, mas o ritmo de contratação abranda. A Projeção para a Criação Líquida de Emprego desce para +18%, menos 11 pontos do que no trimestre anterior.As empresas portuguesas mantêm intenções de contratação positivas para o terceiro trimestre de 2026, mas revelam maior prudência perante o contexto internacional. Segundo o ManpowerGroup Employment Outlook Survey, a Projeção para a Criação Líquida de Emprego em Portugal fixa-se nos +18% para o período entre julho e setembro, menos 11 pontos percentuais do que no trimestre anterior.
O indicador resulta das respostas de empregadores nacionais, dos quais 35% planeiam aumentar as equipas, 47% pretendem mantê-las e 17% antecipam reduções. Apesar do abrandamento, a projeção continua acima do valor registado no mesmo período de 2025, quando se situava nos +16%.
A travagem surge num contexto marcado por tensões geopolíticas, custos energéticos elevados e abrandamento económico em vários mercados europeus. Portugal fica, ainda assim, abaixo da média global, que se situa nos +26%, mas acima da média europeia, fixada em +14%, o valor mais baixo dos últimos cinco anos.
“Os resultados deste trimestre mostram que as empresas portuguesas continuam a contratar, mas estão a adotar uma postura mais cautelosa perante um contexto internacional mais exigente”, afirma Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal.
Segundo o responsável, a economia portuguesa mantém sinais de resiliência, apoiada pelo consumo privado, pelo investimento, pela execução do PRR e pelo dinamismo de setores como a construção, a indústria e o retalho. No entanto, a incerteza geopolítica, os custos energéticos e a menor dinâmica económica internacional estão a levar as organizações a reavaliar o ritmo dos seus planos de crescimento.
O crescimento das empresas continua a ser o principal motivo para contratar, referido por 34% dos empregadores. Seguem-se a necessidade de recursos para projetos específicos, apontada por 24%, e o preenchimento de vagas que ficaram abertas em trimestres anteriores, sinal da persistência de dificuldades no acesso a talento.
Entre os empregadores que antecipam reduzir equipas, os desafios económicos são o principal fator, referidos por 27% dos inquiridos. A automação ganha também peso: 20% dos empregadores que preveem cortes indicam que a tecnologia reduziu a necessidade de determinadas funções, mais cinco pontos percentuais do que no trimestre anterior.
As intenções de contratação mantêm-se positivas na maioria dos setores analisados, embora com abrandamento generalizado. Construção e Imobiliário lidera as perspetivas, com uma projeção de +36%, seguido por Tecnologia e Serviços de IT, com +32%, Indústria, com +24%, e Comércio e Logística, com +22%.
A nível regional, a Grande Lisboa e a Região Sul apresentam as projeções mais elevadas, ambas com +24%. Já o Centro e o Grande Porto registam as maiores quedas face ao trimestre anterior, com descidas de 25 e 20 pontos percentuais, respetivamente.
O ManpowerGroup Employment Outlook Survey ouviu 40.592 empregadores em 42 países e territórios. O próximo estudo será divulgado em setembro e apresentará as expectativas de contratação para o quarto trimestre de 2026.