Estratégia de comunicação com IA ganha peso, mas diretores temem perda de autenticidade e exigem mais medição de resultados.
A inteligência artificial, a fragmentação dos canais e a pressão para medir resultados estão a obrigar os diretores de comunicação a rever prioridades, revela a edição de 2026 do relatório “Principais preocupações dos diretores de comunicação”, elaborado pela
theGarage.
O estudo, baseado nas respostas de 209 responsáveis de comunicação em Portugal e Espanha, indica que a medição adequada do impacto e do retorno do investimento é hoje a principal preocupação destes profissionais, referida por 53% dos inquiridos. Seguem-se a integração de novos canais e formatos, com 47%, e a necessidade de conhecer melhor novas audiências, com 45%.
A inteligência artificial já é aplicada de forma ativa por 56% dos diretores de comunicação, enquanto 40% ainda se encontra em fase de teste ou exploração. A tecnologia é usada sobretudo para aumentar produtividade em tarefas como geração de conteúdos, adaptação de formatos, elaboração de resumos e apoio a sessões de brainstorming.
Apesar dessa adoção, o relatório mostra que a maior preocupação associada à IA é a perda de autenticidade, criatividade e o excesso de automatização, apontada por 77% dos participantes. A privacidade dos dados, a falta de formação das equipas e a ausência de regras internas de governação ética surgem também entre os principais receios.
A mudança nos hábitos de consumo de informação está igualmente a alterar as estratégias de comunicação. Podcasts e streaming são agora apontados como canais relevantes por 80% dos diretores de comunicação, acima dos meios tradicionais, referidos por 72%, e do LinkedIn, com 68%.
O estudo assinala ainda a transição do SEO tradicional para o GEO, ou seja, a adaptação de conteúdos para serem referenciados por motores de resposta baseados em IA generativa. Quase metade dos inquiridos considera esta mudança fundamental e afirma já estar a otimizar conteúdos e comunicados para esse novo contexto.
Na relação com as agências, os diretores de comunicação exigem sobretudo abordagens mais estratégicas, apontadas por 70% dos participantes. A proatividade, a criatividade e a capacidade de medir o retorno do investimento surgem também entre as áreas onde estes profissionais esperam maior evolução.