Literacia precoce continua a ser desafio estrutural em Portugal, com impacto no futuro do capital humano e da economia.
A literacia precoce continua a ser um desafio estrutural em Portugal, com impacto direto no desenvolvimento do capital humano e na competitividade económica, segundo dados apresentados pelo
EDULOG, no âmbito do seu projeto de avaliação da leitura nos primeiros anos de escolaridade.
De acordo com o comunicado, cerca de 25% das crianças portuguesas apresentam dificuldades na leitura aos 9 e 10 anos, segundo o estudo internacional PIRLS, sendo que 6% não atingem sequer o nível mínimo de desempenho. A tendência recente é de inversão dos progressos registados até 2015, também evidenciada pelos resultados do PISA aos 15 anos.
Os dados surgem no contexto da conferência internacional anual do EDULOG, que decorre hoje e amanhã (dias 4 e 5 de maio), na Fundação de Serralves, no Porto, e onde serão apresentados os resultados do Projeto LER, uma avaliação alargada da literacia no pré-escolar e nos primeiros anos do ensino básico.
Implementado no ano letivo de 2024/25, o estudo abrangeu 184 escolas e mais de 6.500 crianças, analisando o desenvolvimento das competências de leitura e escrita desde o pré-escolar até ao 2.º ano. Os resultados apontam para progressões consistentes ao longo do percurso escolar, mas revelam também desigualdades associadas ao contexto familiar.
Segundo Isabel Leite, presidente do Conselho Consultivo do EDULOG, “garantir que todas as crianças desenvolvem competências sólidas de leitura desde os primeiros anos” continua a ser um dos principais desafios dos sistemas educativos.
O encontro reúne especialistas de instituições internacionais como Harvard, Oxford e Boston College, para debater práticas pedagógicas baseadas em evidência científica, prevenção de dificuldades de aprendizagem e políticas públicas de promoção da literacia.
Num contexto em que a qualidade do capital humano assume um papel central na produtividade e no crescimento económico, os dados reforçam a necessidade de políticas consistentes e de longo prazo na área da educação, com foco na aprendizagem precoce como base do desenvolvimento futuro.