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Mundial 2026 pode gerar até 945 milhões em Portugal

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Economia
3 Jun 2026

Estudo do IPAM estima que o impacto económico do Mundial 2026 em Portugal pode chegar aos 945 milhões de euros.
O Campeonato do Mundo FIFA 2026 poderá gerar em Portugal um impacto económico entre 378 milhões e 945 milhões de euros, dependendo da performance da Seleção Nacional. A estimativa consta do estudo “Campeonato do Mundo FIFA 2026: análise do impacto económico em Portugal”, desenvolvido pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM, Instituto Português de Administração de Marketing.

Segundo o estudo, o valor mínimo estimado, correspondente à fase de grupos, é de 378 milhões de euros. Num cenário intermédio, com chegada aos oitavos de final, o impacto poderá atingir 561 milhões de euros. Em caso de vitória, poderá chegar aos 945 milhões de euros, o maior impacto económico de sempre em Portugal associado a uma competição que o país não organiza.

A análise do IPAM aponta para uma mudança estrutural no modelo económico do futebol. O impacto de grandes competições já não depende apenas da geografia, da bilheteira ou do país anfitrião, mas da capacidade dos adeptos, marcas, media e plataformas digitais ampliarem o evento antes, durante e depois dos jogos.

“Portugal não precisa de organizar o Mundial para gerar impacto económico relevante. O que este estudo demonstra é que o valor do futebol deixou de estar concentrado no estádio ou no país anfitrião”, afirma Daniel Sá, diretor executivo do IPAM. Segundo o responsável, o impacto é hoje criado “através do consumo, da atenção, da interação digital e da capacidade dos adeptos amplificarem o evento”.

O crescimento estimado resulta de quatro fatores principais: aumento do poder de compra, organização da competição em mercados de elevada capacidade económica, como Estados Unidos, Canadá e México, alargamento do Mundial para 48 seleções e 104 jogos, e consolidação da economia digital como nova fonte de valor.

Apesar da transformação em curso, o consumo tradicional continua a representar a maior parte do impacto económico previsto, com cerca de 77% do total. Nesta componente, o consumo doméstico surge como principal categoria, com 26%, seguido da restauração, com 15%, e da publicidade e media, com 14%.

A componente digital já representa 23% do valor estimado. As plataformas de streaming e OTT pesam 10%, o engagement nas redes sociais representa 7% e a economia de conteúdos, associada a criadores e conteúdos produzidos por utilizadores, vale 6%. Para Daniel Sá, “quase um em cada quatro euros gerados pelo Mundial já vem do digital”.

O estudo destaca ainda o papel do adepto como novo ativo económico. Um adepto casual poderá gerar entre 40 e 100 euros durante a competição, enquanto os adeptos intensivos podem atingir valores entre 350 e 3.500 euros. Já os adeptos digitais podem representar entre 200 e 1.500 euros, devido à combinação entre consumo, interação, presença multiplataforma e capacidade de influência sobre outros consumidores.

Para marcas, media e operadores económicos, o Mundial 2026 deverá exigir uma abordagem menos centrada na transmissão do evento e mais orientada para a ativação em tempo real. O IPAM considera que as marcas terão de adaptar campanhas ao desempenho da Seleção e às dinâmicas dos jogos, enquanto os media deverão combinar televisão, streaming e conteúdos digitais.

A leitura do estudo aponta também para o Mundial 2030, que terá Portugal como um dos países organizadores. Segundo o IPAM, organizar um evento desta dimensão não garante, por si só, impacto económico. O verdadeiro valor dependerá da capacidade de ativar o evento antes, durante e depois da competição, envolvendo marcas, territórios, plataformas digitais e setores como restauração, retalho, turismo e media.

“Quem souber interpretar o Mundial 2026 ganha mais do que quem apenas o transmite”, conclui Daniel Sá. Para o diretor executivo do IPAM, “o valor do Mundial já não está apenas no evento, está na forma como é ativado”.

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