Portugal destaca-se na Europa em infraestruturas cicláveis

Portugal destaca-se na Europa nas infraestruturas cicláveis, mas enfrenta falhas na adoção da bicicleta devido a limitações na manutenção e na posse.

Foto de Shimano

Portugal ocupa o quarto lugar na Europa em melhorias percebidas nas infraestruturas para ciclistas, mas continua a enfrentar obstáculos estruturais que limitam a adoção da bicicleta, nomeadamente a falta de serviços de manutenção e a baixa posse de bicicletas, segundo um estudo europeu da Shimano.

Portugal surge entre os países europeus com melhor evolução percebida das infraestruturas cicláveis, com 59% dos inquiridos a considerarem que as condições para andar de bicicleta melhoraram na sua área local ao longo do último ano. O dado coloca o país na quarta posição do ranking europeu, à frente de mercados tradicionalmente associados ao ciclismo, como a Alemanha ou os Países Baixos.

Os resultados constam do relatório State of the Nation 2026, promovido pela Shimano, baseado num inquérito a 25 mil pessoas em mais de 25 países europeus, que avalia perceções sobre infraestruturas, segurança e condições de utilização da bicicleta.

Foto de Pelayo Arbués em Unsplash

Apesar do desempenho positivo ao nível das infraestruturas, o estudo revela fragilidades persistentes no caso português. Apenas 55,9% da população afirma possuir uma bicicleta, o terceiro valor mais baixo da Europa, e 44,4% das pessoas que já tiveram bicicleta referem dificuldades no acesso a serviços de manutenção e reparação. A principal barreira identificada é a falta de lojas de bicicletas locais ou horários pouco compatíveis, um problema referido por 41% dos inquiridos que enfrentam dificuldades.

Esta dissociação entre investimento em infraestruturas e utilização efetiva reflete um desafio estrutural nas políticas de mobilidade ativa. A nível europeu, cerca de 121 milhões de pessoas afirmam andar menos de bicicleta devido a obstáculos no acesso à manutenção, indicando que a infraestrutura física, por si só, não é suficiente para garantir a adoção continuada.

Foto de Mary Markevich em Freepik

O relatório aponta igualmente para preocupações ao nível da segurança infantil. Menos de metade dos europeus considera que andar de bicicleta se tornou mais seguro para as crianças nos últimos doze meses. Em Portugal, esta perceção é mais positiva, com 46% dos inquiridos a reconhecerem melhorias, associadas sobretudo à criação de infraestruturas adaptadas às crianças.

Os dados sugerem que o avanço das políticas públicas em matéria de mobilidade ciclável enfrenta agora um novo patamar de exigência: assegurar que o investimento em infraestruturas é acompanhado por condições operacionais, serviços de proximidade e soluções que garantam a continuidade do uso. Sem essa articulação, o risco é que os ganhos alcançados ao nível do espaço público não se traduzam plenamente em mudança de comportamentos, benefícios ambientais ou retorno económico para os territórios.

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