Conectividade segura: o novo pilar estratégico da defesa europeia

Relatório da Vodafone defende que a conectividade segura é hoje um pilar estratégico da defesa, da economia e da resiliência da Europa.

Conectividade 5G
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A conectividade segura deixou de ser apenas uma infraestrutura técnica para se afirmar como um elemento central da segurança económica, institucional e democrática da Europa. Essa é a principal conclusão do relatório “Conectividade Segura: o novo pilar estratégico da defesa europeia”, divulgado pela Vodafone, que defende uma mudança profunda na forma como as redes digitais são encaradas pelas políticas públicas europeias.

Segundo o estudo, tratar a conectividade como um serviço básico de baixo custo expõe cidadãos, empresas e Estados a riscos crescentes num contexto marcado por conflitos geopolíticos, ameaças híbridas, ciberataques e sabotagem de infraestruturas críticas. A segurança europeia passou a depender diretamente da resiliência das suas redes digitais, que sustentam desde hospitais e sistemas energéticos até mercados financeiros, cadeias logísticas e, cada vez mais, os sistemas de comando e controlo da defesa.

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Da infraestrutura invisível ao ativo estratégico

O relatório sustenta que a conectividade digital deve ser reconhecida como um ativo estratégico comparável à energia ou aos transportes. A dependência estrutural das economias modernas em relação às redes é hoje total: cerca de 97% do tráfego internacional de dados circula por cabos submarinos e redes terrestres altamente interligadas, cuja interrupção pode gerar efeitos em cascata sobre a economia e a estabilidade social.

A experiência recente da guerra na Ucrânia é usada como exemplo concreto de como a conectividade se torna um fator decisivo em cenários de conflito. Redes resilientes permitiram manter comunicações críticas, apoiar operações militares e civis e mitigar ataques híbridos, enquanto falhas ou ataques às infraestruturas digitais amplificaram a vulnerabilidade dos Estados.

Neste contexto, o relatório alerta para uma fragilidade estrutural da abordagem europeia: os investimentos em infraestruturas digitais críticas permanecem atrasados ou subfinanciados, e a coordenação entre autoridades civis e militares em situações de crise continua fragmentada e reativa.

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Segurança, investimento e competitividade económica

Um dos contributos mais relevantes do documento é a ligação direta entre conectividade segura e competitividade económica. Falhas nas redes digitais não afetam apenas a defesa ou os serviços públicos, mas comprometem cadeias de abastecimento, operações empresariais, sistemas financeiros e a confiança nos mercados.

O relatório sublinha que a Europa enfrenta um défice de investimento significativo para cumprir os seus objetivos de conectividade e resiliência até 2030, estimado em mais de 200 mil milhões de euros. Sem um enquadramento político e regulatório que incentive o investimento de longo prazo, a capacidade europeia de proteger as suas infraestruturas digitais ficará aquém das exigências estratégicas atuais.

“A segurança europeia é agora indissociável da segurança da sua conectividade. Se a Europa continuar a tratá-la como um serviço básico e de baixo custo, estará a expor cidadãos, instituições democráticas e aliados a riscos cada vez maiores”, afirma Joakim Reiter, diretor de Relações Externas do Grupo Vodafone, defendendo políticas coerentes e pró-inovação à escala europeia.

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Governação, alianças e literacia digital

Para além do investimento, o relatório destaca a necessidade de uma governação mais integrada da conectividade, capaz de articular operadores, Estados e aliados em mecanismos permanentes de cooperação. A proteção de infraestruturas submarinas, a cibersegurança transfronteiriça e a resposta coordenada a crises são apresentadas como domínios onde a fragmentação atual fragiliza a resiliência europeia.

O documento aponta também para a importância das alianças estratégicas com parceiros de confiança, como o Reino Unido, no desenvolvimento de tecnologias críticas e na harmonização de normas de segurança, reforçando a soberania tecnológica europeia num ambiente internacional cada vez mais competitivo.

Finalmente, o relatório sublinha que a resiliência digital não se constrói apenas com tecnologia. A literacia digital e a capacitação dos cidadãos são vistas como elementos essenciais para combater a desinformação, reforçar a confiança nas instituições democráticas e aumentar a robustez social face a ameaças híbridas.

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Uma escolha estratégica para a Europa

A principal mensagem do estudo é clara: a conectividade segura não é um subproduto do desenvolvimento digital, mas “uma escolha estratégica que condiciona a prosperidade económica, a segurança e a autonomia da Europa”. Ignorar esta realidade significa aceitar uma vulnerabilidade estrutural num mundo onde as redes digitais são já um dos principais campos de disputa geopolítica.

Para empresas, decisores públicos e investidores, o relatório deixa um alerta inequívoco: sem redes resilientes e seguras, não há transformação digital sustentável, nem competitividade económica, nem defesa eficaz.

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