A FaceApp e o admirável mundo novo dos dados

Pedro André Martins
Foto: Singularity

Na última década as tecnologias da informação e comunicação desenvolveram-se a uma velocidade elevada e, de acordo com um estudo do Cisco Visual Networking Index, no próximo ano, o tráfego global de dados será equivalente a 95 vezes o volume do tráfego global de 2005, ou seja, no próximo ano iremos, certamente, atingir os 21 gigabytes por pessoa, muito acima dos sete gigabytes por pessoa de 2015. Em 2020 deveremos atingir os 2.3 zettabytes.

Um zettabyte corresponde a 10 elevado a 21, que é equivalente a mil exabytes (ou 10 elevado a 18), e um exabyte é equivalente a mil milhões de gigabytes, ou seja, corresponde a 10 elevado a 9. Um zettabyte é a quantidade de dados percorridos em toda a internet desde a sua criação e 300 zettabytes equivalem a toda a informação visual transmitida dos olhos para o cérebro, de toda a humanidade, no período de um ano.

Na passada semana, a aplicação FaceApp, relançou o debate sobre a perceção de privacidade e tratamento de todos estes “dados” que proliferam na web. A desconfiança dos utilizadores face às empresas de tecnologia que oferecem serviços e aplicações é maior desde há alguns anos.

Para os utilizadores, a recolha dos seus de dados gera preocupações ao nível da sua privacidade e intimidade uma vez que, muita da informação guardada nos telefones é desejável que se mantenha em sigilo. Por outro lado, ao terem acesso às informações e padrões de utilização, os provedores dos serviços vão ter conhecimento sobre os comportamentos pessoais e estilos de vida, tais como, por exemplo: padrões de alimentação, padrões de saúde e sono, padrões de viagens, padrões de atividade, padrões de mobilidade e afins.

Com a explosão de notícias da última semana sobre o FaceApp, impera a sensação de que a privacidade dos dados pessoais é cada vez mais difícil de assegurar. Porém, a este respeito Pedro André Martins, fundador e CEO da Singularity Digital Enterprise, defende que “a recolha de dados, como todas as atividades humanas, pode ser utilizada com dois fins: para o bem e para o mal.”

“Essa é uma característica intrínseca, infelizmente, ao comportamento humano. Cada nova aplicação que instalamos no telemóvel é sempre uma possível vulnerabilidade. Porém, é importante estarmos cientes que a utilização e tratamento dos dados tem sido, progressivamente, utilizada em benefício da humanidade e não o contrário. E, mais importante ainda é não esquecermos que a esmagadora maioria dos dados recolhidos são, efetivamente, anónimos. Um estudo muito recente pelos laboratórios da Mitsubishi demonstra que a ciência e a academia estão empenhadas em assegurar a total privacidade das comunicações e dos dados”, acrescenta Pedro André Martins.

“Cada nova aplicação, que instalamos no telemóvel, é uma possível vulnerabilidade”

A compreensão do potencial associado à obtenção, tratamento e análise da big data tem sido alvo de inúmeras pesquisas académicas, científicas e a comunicação social está empenhada em promover o debate para que se possa estudar e entender as implicações estratégicas a curto, médio e longo prazo. Um título do New York Post resumiu, com alguma ironia, a polémica sobre o FaceApp: “Os russos agora têm todas as nossas fotos de idosos”.

Neste contexto, Pedro André Martins refere que “a consciencialização dos utilizadores é muito importante. Não só é importante a privacidade de cada um, mas também a das empresas e interesses governamentais que se alimentam dos dados que recolhem e combinam em benefício da sociedade.

As empresas e os profissionais sérios, que trabalham neste admirável mundo novo dos dados, são os primeiros a estar totalmente empenhados na proteção e anonimato integral dos dados que utilizam. Ao contrário do universo noticioso, por exemplo, a nós nunca nos interessa o “quem”. Interessa-nos apenas: o “onde”, o “como”, o “quando”, que nos possibilitam estudar os “porquês”.”

As economias mais competitivas da atualidade fazem um uso íntegro e inteligente dos dados, da big data e da inteligência artificial e isso tem permitido a sua progressiva evolução “os utilizadores de smartphones vão continuar a querer utilizar aplicações lúdicas que proporcionem momentos de partilha e diversão entre os amigos e conhecidos. As pessoas deixam de usar o FaceApp hoje, e amanhã surgirá outra aplicação que lhes irá despertar a atenção. É, por isso, muito importante que a comunicação social promova sempre este debate através de artigos na imprensa, pois o maior desafio é entendermos o panorama geral, as interconexões e dinâmicas entre as apps que surgem diariamente e, sobretudo, a forma como os dados recolhidos estarão a beneficiar, a humanidade ou a serem usadas para outros fins. O resto são histórias e casos isolados.”, afirma Pedro André Martins, fundador e CEO da Singularity Digital Enterprise.

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