Empreender mas em quê? – 8 conselhos de especialistas para encontrar a paixão empreendedora

Se é empreendedor ou está a considerar a hipótese de empreender, é provável que já tenha ouvido esta recomendação: se quer ser feliz, encontre a área que mais o apaixona e crie um negócio com base nessa paixão. Faz sentido. O problema é que no momento em que queremos começar a empreender, nem sempre conseguimos encontrar essa tão afamada paixão dentro de nós. Dependendo da personalidade e das experiências vividas, as pessoas podem sentir claramente uma preferência por determinada área de atividade bem identificada, senti-la por diversas áreas, ou pelo contrário, não sentir especial atração por nenhuma.

Na realidade, chegar a adulto sem saber o que se quer ‘fazer quando for grande’ é uma situação cada vez mais comum. Ao contrário do que acontecia antigamente, quando as pessoas faziam carreira numa profissão e nela se mantinham toda a vida, hoje a instabilidade é a única constante. Mudar de emprego passou a ser normal e, muito pior, a insatisfação profissional também. Com o mercado de trabalho limitado pela crise económica e as empresas a investirem pouco na realização dos trabalhadores, muitas pessoas procuram no empreendedorismo a solução possível para atingir alguma satisfação profissional. Mas para quem quer empreender coloca-se, logo no ponto de partida, uma questão fundamental: empreender, mas em quê?

Encontrar o nicho certo para desenvolver um projeto é uma questão complexa, que exige amadurecimento. Se tem uma paixão antiga e uma ideia guardada numa gaveta, considere-se feliz. Muitos há que têm um longo caminho a percorrer antes de chegar a essa fase.

Olhar para dentronPara Alcino Rodrigues, coach, empreendedor e autor, «a dificuldade que as pessoas têm em encontrar a sua paixão, algo que lhes tire o sono e lhes faça sentir alegria, borboletas na barriga, o tipo de situação que as faça sentir realizadas, surge do facto de não terem aprendido a olhar para dentro de si mesmas e buscar as respostas para esses desafios.»nEntão, como buscar esse autoconhecimento que também Frederico Cruzeiro Costa considera ser «o processo que nos permite assumir com confiança qual o caminho que devemos seguir»? Vejamos alguns pontos.

Desenvolver a auto-liderançanO presidente da Agência de Empreendedores Sociais (SEA), acredita que «para fazer a diferença no mundo, é necessário primeiramente valorizar-se e investir em si próprio». Esta instituição de apoio aos empreendedores usa como metodologia de base o Personal Branding, «uma filosofia em que todos devemos desenvolver a nossa marca pessoal» uma vez que «todos somos únicos e com características que nos demarcam uns dos outros, mas a maioria das vezes não sabemos ou não comunicamos as competências que nos permitem realizar ou entregar a nossa promessa única de valor».

Segundo esta metodologia, o empreendedor precisa de assumir um processo de auto-liderança, no decurso do qual terá de «dar autonomia a si mesmo, definir os seus objetivos e metas pessoais e profissionais, reconhecer as suas forças e fraquezas, compreender os preconceitos, hábitos e valores que o transformaram naquilo que é hoje, assumindo as suas decisões e escolhas. Para tal, é crucial responder a questões que valorizam as várias dimensões do indivíduo, como por exemplo, Quem sou Eu? Quais as minhas capacidades? Quais os meus limites? Que ideia faço sobre a minha vida pessoal e profissional? Será que a valorizo o suficiente? Qual é o meu maior sonho? Acredito que a minha felicidade consiste em cumprir os desafios que me são propostos?»

paixao empreendedora

Cruzar o que gostamos, o que sabemos e as nossas oportunidadesnTambém Catarina Lucas, psicóloga, insiste na questão do autoconhecimento. «Quando a ‘paixão’ não é clara ou surge em paralelo com outras preferências, é importante perceber, além dessas preferências, quais são as nossas competências e aptidões, bem como áreas em que poderemos desempenhar um bom trabalho. Não basta apenas gostar de determinada área, é igualmente necessário perceber se nos revemos a trabalhar nessa mesma área e ainda não negligenciar a conjuntura atual. O ideal é conseguir um equilíbrio entre aquilo que é a nossa paixão, aquelas que são as nossas competências e aptidões e aquilo que poderá ser rentável economicamente».

Identificar e desenvolver competências.nEsta psicóloga com experiência em orientação vocacional estabelece um paralelismo entre selecionar uma área na qual empreender e o momento de escolher uma área de formação. «Quando tudo se apresenta de forma confusa, a orientação vocacional e a identificação de competências predominantes poderão ajudar na tomada de decisão, sendo que, por vezes algumas lacunas no processo de desenvolvimento de competências poderão ser trabalhadas e colmatadas.»

Tal como se usa a orientação tradicional no início ou durante o secundário para se escolher o curso universitário, também com os adultos se pode «realizar uma avaliação psicológica com vista à identificação das áreas mais fortes e das áreas a desenvolver», que permita adquirir ou readquirir uma noção mais clara do caminho a percorrer dentro do empreendedorismo.

Sair da zona de conforto para aprendernCriar competências internas é, na opinião de Alcino Rodrigues, algo que se consegue enfrentando dificuldades e saindo da nossa zona de conforto. «Estudando a vida de pessoas de sucesso percebemos que muitas passaram por bastantes dificuldades na sua juventude. Uma criança ou jovem que tenha lidado frequentemente com dificuldades ao longo dessa fase da sua vida terá mais probabilidade de ser bem-sucedido a nível profissional e pessoal.»

O problema é que o contexto familiar e educacional em que vivemos normalmente não nos obriga a enfrentar as dificuldades. «Somos seres ‘aprendedores’ por natureza e durante toda a nossa vida arranjamos formas de conseguir ‘não-aprender’ porque é algo fora da tal zona de conforto. É algo que nos mete medo. Sabendo isto percebemos que quem, apesar do medo, tem coragem, será quem conseguirá avançar com naturalidade na busca da sua paixão».

Alhear-se do fator dinheironAlcino Rodrigues acrescenta ainda uma sugestão: «para as pessoas bloqueadas pelo medo e pelo conforto nas suas vidas, para quem quer seguir a sua paixão, é que retirem de jogo o fator condicionante criado pela sociedade moderna: a obsessão pelo dinheiro. Ele é importante, é um facto, mas se pensarmos nas nossas coisas sem o fator dinheiro, tornamo-nos um Ser ilimitadamente criador.

Poderá ser uma opinião polémica e contraditória mas, vejamos, se a nossa motivação for o dinheiro, acabamos por ser movidos por algo exterior que é só um resultado, o que não gera muito valor e energia. Se a motivação for interna, qualquer ela que seja, gera uma enorme energia e a sensação de que temos o controlo da nossa vida.»

Não recear a idaden«Só a partir de uma certa idade, de um certo estado de maturidade ou de um certo conjunto de acontecimentos ou mudanças é que temos motivação para empreender» nota Alcino Rodrigues. «Costuma-se dizer que ‘a necessidade aguça o engenho’. A boa notícia é que é sempre tempo para recomeçar, reaprender e buscar o que nos traz felicidade, e temos sempre, ao longo da nossa vida, a capacidade para adquirir conhecimento e sair da zona de conforto.»

Assumir o risco de falharnNo fundo, como defende Frederico Cruzeiro Costa, «para seguirmos a nossa paixão, ou paixões, temos de partir de um processo de autoconhecimento que nos vai permitir assumir com confiança qual o caminho que devemos seguir. Como indivíduos, no domínio de uma autoliderança que nos permite tomar decisões mais consolidadas e apoiadas nas nossas próprias crenças e valores, precisamos de assumir o risco de podermos vir a mudar o nosso rumo.

Se estivermos conscientes das nossas riquezas e fragilidades pessoais, e tivermos definido metas e objetivos que queremos atingir, podemos também mais facilmente assumir um novo risco de empreender uma nova paixão, se a paixão que tínhamos seguido anteriormente não nos permitiu atingir os resultados que esperávamos. Desta forma, com uma marca pessoal mais bem definida, onde o empreendedor se conhece melhor a si próprio, este aceita mais facilmente o risco inerente de falhar, mas também de não desistir enquanto não conseguir atingir o sonho ou sonhos que almeja e que são alimentados pelo combustível da paixão».

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