Estudo Europeu: Portugueses Lideram na Adesão à Transição Energética na UE

Foto de Margot RICHARD em Unsplash

Um estudo de âmbito europeu revelou que mais de metade dos cidadãos da União Europeia (UE) participam ativamente na transição energética, mas existem significativas diferenças entre países e diversos obstáculos impedem um impacto mais expressivo. Portugal é destacado como o país com mais entusiastas pela transição energética, representando cerca de 50% da população.

O inquérito, parte do projeto de pesquisa GRETA (Green Energy Transition Actions) do programa Horizonte 2020, indica que aproximadamente 60% dos cidadãos europeus participam ativamente na transição energética, envolvendo-se em ações como poupança de energia, investimento em tecnologias verdes e apoio a soluções sustentáveis. Por outro lado, cerca de 40% dos cidadãos europeus são categorizados como indiferentes, céticos, condicionados ou imaturos, representando uma parcela que necessita de maior apoio e sensibilização.

A pesquisa analisou a atitude de aproximadamente 10.000 participantes em 16 países da UE, identificando o comportamento dos cidadãos em relação à transição energética. Entre estes, os portugueses destacam-se como os mais entusiasmados pela adoção de práticas sustentáveis e pela participação ativa em iniciativas de energia verde.

Cidadãos conscientes e não conscientes versus cidadãos ativos e decididos relativamente à transição energética /Quadro de GRETA Survey 2023

O estudo identificou oito perfis distintos entre os cidadãos europeus, variando na forma como participam ativamente na transição energética, nas atitudes, motivações e recursos relacionados com iniciativas sustentáveis. Os perfis vão desde indiferentes até conhecedores e decididos. A análise mostra que 58% dos cidadãos da UE, agrupados nos últimos quatro perfis, são considerados “ativos” ou “empenhados” na transição energética.

Ajesh Kumar, Investigador Júnior na Universidade LUT, na Finlândia, destaca a necessidade de abordagens não convencionais para envolver tanto os já sensibilizados quanto os negligenciados, enfatizando a importância de políticas que promovam, apoiem e criem condições financeiras para a transição energética.

O estudo sublinha a importância da criação de legislação adequada, citando o exemplo de Portugal, que implementou alterações ao regime de autoconsumo de eletricidade renovável em 2019. Essas mudanças facilitaram a formação de comunidades de energia renovável e o desenvolvimento de práticas individuais e coletivas de autoconsumo de energia.

“O governo português introduziu em 2019 modificações ao regime de autoconsumo de eletricidade renovável. Conseguiu, desta forma, apoiar a criação de comunidades de energia renovável, autoconsumo de energia individual e coletiva, bem como a troca direta. Trata-se de um bom exemplo de implementação por parte de um Estado Membro de um quadro regulamentar derivado da Diretiva de Energia Renovável da UE de 2018”, afirma a professora assistente na Universidade LUT, Annika Wolff.

O estudo também revela que mais de 60% dos cidadãos da UE concordam que a transição energética é uma responsabilidade conjunta, mas as oportunidades de participação não são uniformes. A falta de conhecimento, restrições financeiras e uma atitude individualista são apontadas como os principais obstáculos.

Os autores reforçam a necessidade de estratégias inclusivas, envolvendo soluções digitais e programas que promovam a participação de comunidades digitais na transição energética. Portugal, como líder neste cenário, destaca-se como um exemplo positivo de engajamento e adesão às iniciativas sustentáveis na UE.

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