Bruno PerinO sócio faz toda diferença no negócio, vai perceber isso rapidamente. Contar com as pessoas certas é fundamental, e uma má escolha pode ser mortal.
Veja como escolher o sócio certo.
O sócio faz toda diferença no negócio. Você vai perceber
isso ao longo da sua jornada empreendedora. Desde os problemas que pode
encontrar logo no início, aos que irá deparar-se à medida que evolui na
atividade da sua empresa, contar com as pessoas certas é fundamental, e uma má
escolha pode ser mortal.
Segundo uma pesquisa da?CB Insights, a segunda
maior taxa de mortalidade dos negócios é por causa dos sócios. Não se preocupe se
isto o deixa com um pouco de medo – é até bom que se inquiete – a maior parte
das pessoas toma decisões horríveis porque não tem essa preocupação.
E se você escolheu ou, sem pensar muito, estava quase
decidido, vai entender o problema disso.
Sociedade é algo bem mais sério que você imagina.
a segunda maior taxa de mortalidade dos negócios é por causa dos sócios
Neste artigo você vai ver:
Se você ainda não leu meus artigos ou está curioso porque
escrevo assim -?entenda porquê aqui.?
Começar uma jornada empreendedora é como ser largado numa
cidade desconhecida, sem referências turísticas, sem mapa, nem nada e pensar: “para
onde vou?” Fica muito mais fácil quando você tem alguém ao seu lado com as
características certas, para o ajudar a encontrar o caminho.
Imagine então começar uma empresa…
É uma decisão bem séria, e é natural que você fique tenso. Ainda
mais quando está próximo de dividir essa responsabilidade e tornar o jogo real.
Porque, quando sonha com negócios e se brinca com ideias numa mesa de café,
tudo é lindo e todos estão dispostos e capacitados. Mas quando é para assumir a
responsabilidade é que você começa entender quem é quem.
Eu sei que já está a pensar: “é quase como um casamento!”
Sim, é isso mesmo. É um casamento que começa com um filho: a
vossa empresa. Vocês passam a dividir a responsabilidade e a direção desse
negócio juntos. Então é normal você ter medo de escolher a pessoa com quem vai
se comprometer. Se não tivesse é que era estranho…
quando é para assumir a responsabilidade é que você começa entender quem é quem
A minha jornada?como empresário?é muito longa. Os
meus primeiros negócios foram aos 18 anos, e eu nem sabia que isso era
empreendedorismo.?Porém,?já envolvia sócios...
E depois a vida trouxe-me diversas pessoas para os mais distintos
empreendimentos. Essa é uma questão que eu me acabei acostumando. Sinto-me
quase como aquela parteira de cidade pequena que diz “fica tranquila, eu já fiz
tantas vezes isso, que não vai dar problema.”Por isso eu estou partilhando este
artigo com você.
Já tive pessoas que me ajudaram muito, outras que me
passaram para trás. Foram pessoas que me seguraram horrores ou drenaram a minha
energia. Teve gente que não fez diferença – e mal lembro – e há pessoas que são
incríveis e me sinto sortudo de tê-las.
Todo esse envolvimento ajudou-me a identificar 3 critérios
muito sérios para começar uma relação de negócio. Essas análises que vou
revelar podem evitar problemas complexos, ainda mais para quem?não tem muito dinheiro para iniciar um negócio.?

As pessoas não levam tão a sério quanto deveria esse
assunto. Se me pedissem para chutar um número, eu diria que elas dedicam 95%
em?encontrar a ideia do negócio?e 5% em achar o sócio
(note que nem escrevi sócio ideal). E acredito que até posso estar errado...
Pode ser uns 4% só no sócio.
Já pensou que o sócio errado pode fazê-lo seguir o pior
caminho? Imagine meses, dinheiro e esforço na direção contrária? Ou pode sugar-lhe
a energia e você não ter estimulo para entregar o que a empresa precisa. O
sócio errado pode destruir a sua reputação ao fazer maus negócios e gerar
problemas com a lei.
Eu vou até parar por aqui, para não o desanimar demais…
A ideia era só chamar a atenção para a quantidade de problemas
que se podem encontrar numa má decisão.
Quem você escolheria para ser seu sócio agora?
Não leia ainda a próxima linha. Pense de verdade.
Ok, foi alguém que gosta?
Não, eu não sou um mágico?com aqueles truques de
cartas. Mas é normal acontecer as pessoas escolherem alguém que gostam. Quando
as pessoas pensam em juntar-se a alguém para criar um negócio, elas baseiam-se em
questões emocionais, como pessoas de quem gostam muito e acreditam serem muito boas.
Esse é um erro terrível.
Gostar muito de alguém não significa que essa pessoa o vá ajudar
a criar uma empresa de sucesso. Nem sequer é certo que, apesar de serem amigos,
consigam trabalhar juntos.
Como eu sempre digo:
Você está criando uma empresa, não fazendo um churrasco.
“Ah mas eu adoro essa pessoa, ela é incrível?” É mesmo? Então
quantas vezes você já trabalhou com ela? Quantas vezes ela fez a diferença num
projeto profissional contigo? Quantas vezes você avaliou com frieza o trabalho
dela?
Quem você escolheria para ser seu sócio agora?
Nem precisa me dizer, eu sei como seriam as respostas. Nós
tendemos ser muito leves e ponderados com quem amamos. Você adora o seu irmão,
mãe, namorado, tio, prima... E por isso julga que esse candidato que adora é um
profissional espetacular para entrar no negócio contigo.
Porque na verdade você avaliou que gostaria disso. Mas não que seria o ideal para a empresa.
Isso não quer dizer que é impossível ter um negócio com quem
você se relaciona. Só que a probabilidade de errar é imensa, pois são muitos
fatores emocionais nessa escolha. Fora a relação pessoal que fica afetada ao
envolver o lado profissional.

Você deve ter notado que a maior parte das dicas e ideias que
apresentei são para pessoas que vão ter uma sociedade pela primeira vez. Porém,
diversas questões podem ajudar quem já tem sócios e pretende repensar essa
questão.
Um ponto de vista muito bom, para essa reflexão, é
questionar:
Se você fosse começar outra jornada, chamaria o mesmo sócio?
A resposta a essa pergunta demonstra muito sobre o quanto vocês combinam. E isso é normal. Assim como no casamento, não há um lado bom e o outro ruim. São os dois que não combinam.
Quando você percebe que não chamaria essa pessoa para outra
jornada é porque não faz tanto sentido manter essa sociedade no seu negócio
atual.
Se você fosse começar outra jornada, chamaria o mesmo sócio?
Depois de deixar você preocupado com a importância de um
sócio e de ainda queimar as suas principais escolhas, eu fico na obrigação e
lhe dar uma mão, para o ajudar.
Uma dica excelente para encontrar o sócio ideal é:
Procure nas pessoas que você já teve algum contato
profissional. Pense naquele seu antigo colega de trabalho ou em alguém com quem
fez um projeto junto. Quem sabe, talvez um seu cliente ou fornecedor.
Mas pense apenas em pessoas com quem você, de alguma forma,
teve?relação profissional. Pessoas que você já viu como elas funcionam no
ambiente profissional, e não na mesa do bar ou no sofá da sala.
Pense em algumas das suas habilidades, manias, jeito de lidar com as situações. E quanto mais teve contato com ela, melhor consegue analisar suas aptidões. Essa é a melhor busca que você faz para começar, já lhe evita muitos erros mortais.
Mas segue ainda a questão: “Como eu sei que essa é a?
pessoa ideal para empreender?”
Bem, você não tem como ter 100% de certeza. Desculpe mais um
balde de água fria. No entanto, você pode ter bem menos probabilidade de falhar
se analisar os seguintes critérios:

Não importa o quão boa seja sua ideia, serviço ou produto, o
mercado é difícil! Imagine agora você ter que encarar todas estas dificuldades
e mais o desânimo do seu sócio. A sério, você não vai aguentar.
Encontre pessoas que sejam entusiastas.
O entusiasmo é o que muitas vezes vai segurar as pontas para
você não desistir. O mercado vai dar muita pancada, e você pode desanimar. O
sócio certo é aquele que quando tudo começa a cair, ele ajuda a equilibrar.
As pessoas que gostam do assunto são muito melhores de
trabalhar. O entusiasmo delas é diferente - elas se importam.
Quão insuportável seria ter uma cafeteria com alguém que não gosta de café? Qual sem graça seria ter um cafeteria com quem nem liga para café? E como seria ter uma cafeteria com um doido por café que sabe tudo do assunto?
Isso não é clichê, é a vida.
Ao longo dos dias, você não aguenta?um sócio que não
tem ânimo com aquela área, enquanto que?um sócio entusiasta tende a ter
mais noção?do mercado. E isso pode evitar muitas armadilhas e perda de
tempo.
Quem ama um assunto estuda mais, pesquisa mais, prepara-se
mais. O principal recurso humano no arranque da empresa são os sócios. Imagine
quão bom é se o seu sócio entende muito e gosta de se aprimorar no assunto. Quanto
a empresa ganha com isso?
O entusiasmo é o que muitas vezes vai segurar as pontas
No começo é você e?o seu sócio a principal força do negócio. Aquilo que vocês não têm na equipa, vão precisar buscar fora. Portanto, quanto melhor for essa combinação de conhecimentos e habilidades distintas entre os integrantes, mais conseguirão começar? gastando?menos.
Os salários são o que mais pesa no arranque. Quem você traz
para a equipa tem um peso financeiro alto. Pense agora, se os seus sócios têm
aquela habilidade ou conhecimento, não precisa de mais um salário ou terceiro.
É muito comum você gostar das pessoas parecidas com você. Vários
tímidos, vários falantes, vários organizados. Mas numa empresa a variação é
essencial.
O mais centrado e o mais ousado – equilibram-se. O que
entende do produto, e o que gosta de desenvolver o mercado – complementam-se. O
que pensa nas finanças e o que pensa nas vendas – completam-se.?
O grande ponto é perceber o que é essencial para o negócio. Que
conhecimentos e que habilidades, e assim ver o que tem dentro de casa entre os
sócios, ou em você apenas. E depois usar isso como critério para buscar a
pessoa mais necessária.
Lembre-se, no entanto, de respeitar as regras anteriores…
Esse é o critério esquecido com o seu possível sócio. É?aquela
discussão tipo?“Ah, deixa pra lá”. E logo quando a jornada começa,
percebem que têm uma maneira de trabalhar muito diferente.
Você precisa questionar o seu possível sócio sobre isso:
Esta conversa é essencial para não entrar num barco furado,
que é o que mais acontece, pois as pessoas não se prestaram a falar disso.
Quando você fala sobre assuntos, entende como vai ser
trabalhar com essa pessoa. Imagine casar e nunca ter conversado com a pessoa
sobre ela querer ter filhos ou não? Sobre as suas expectativas de morar num
determinado lugar? O que ela busca profissionalmente?
Essas questões influenciam diretamente na sua vida. Numa
empresa é a mesma coisa.
Você precisa descobrir antes como?o sócio vê a criação
desse negócio. É demasiado perigoso deixar isso para descobrir depois.
Na verdade é como se jogar de?um lugar alto, sem olhar
e depois rezar que tenha, lá embaixo, um rio fundo para você cair.
?Sim, eu sei que é melhor falar de projetos e ideias de
como vai ganhar dinheiro, mas, este assunto é tão importante quanto isso.

Lembre-se que a boa sociedade é o maior reforço, pois são pessoas que lutaram consigo para criar algo de valor. Que, juntos, terão o seu suor relacionado ao ganho e crescimento. Para essa batalha é?sábio escolher os melhores e que tenham essa intenção.
Eu digo com 100% de certeza absoluta: Dedique tempo a isso o
quanto antes. Quanto mais cedo você começar a procurar, mais cedo terá a pessoa
certa consigo no arranque.
Imagine ter alguém que o vai auxiliar a?verificar o mercado e?desenhar a ideia… Quanto mais cedo o seu sócio se envolver
melhor é para qualificar o que vai construir.
E depois de tudo isso, espero que você, pelo amor de Deus e
todos os santos, tenha compreendido que deve investir tempo a encontrar o sócio
certo.
Não é um cafezinho e pronto. São algumas conversas que lhes
permitam conhecer-se melhor. Passar uma atividade para perceber o interesse e
desempenho desse possível sócio.
invista tempo a encontrar o sócio certo
Lembre-se: é mil vezes melhor continuar como está, do que
escolher a pessoa errada.
Você pode precisar de ajuda urgente, mas colocar a pessoa
errada, além de não ajudar, causa problemas que depois você terá que resolver.
Faça isso logo.
E se você tiver a melhor pessoa para lutar ao seu lado?
Claro que eu poderia expor aqui muitas questões mais sobre o
assunto. Se quiser falar sobre isso escreva-me @brunomrperin,
mas para já estas são as mais importantes para você dar atenção ao que importa.
Entenda o quão sério é o assunto e os problemas que você
pode ter ao escolher errado. Evite (não é proibido) escolher pessoas apenas por
afinidade pessoal. Prefira quem você já trabalhou junto e deu certo. Veja se
essa pessoa conhece e gosta do mercado. Analise as suas habilidades e
conhecimentos para escolher pessoas diferentes, que a empresa precisa. Por fim,
entenda o tipo de negócio que essa pessoa quer ter, que ambiente ela deseja
montar, e quais são os seus objetivos.
Comece a procurar o seu sócio o quanto antes. Se você usar
estes critérios vai sair anos-luz na frente da maioria que se mata com escolhas
erradas.
Falando em pessoas certas, queria aproveitar para lhe pedir
para enviar esse artigo a um amigo que?procura sócios, ou já comentou consigo
que pode ter escolhido as pessoas erradas.