Transformar ideias em negócios reais

Stefan Schneider e Florian Hübner são alunos da Universidade Católica de Lisboa que desenvolveram um projeto que disponibiliza as ferramentas necessárias para dar forma a novas ideias. À equipa dos dois alemães juntou-se também Rahul Sharma, que trouxe à Startup Creator uma dimensão internacional. Hoje a empresa atua na Alemanha, em Munique, onde residem os dois alemães; em Lisboa, onde começou o projeto; e em Chandigarh, na India, onde estão as equipas de desenvolvimento.

O Startup Creator é um pre-accelerator que ajuda os jovens empreendedores a lançar as suas startups, graças a uma equipa de experientes programadores, designers e especialistas de software, que vão implementar e desenvolver aplicações digitais em menos de 8 semanas. O objetivo é apoiar os projetos desde o início da sua conceção até ao lançamento final do produto, desenvolvendo a ideia inicial e ajudando a criar um protótipo.

Stefan: Florian, o nosso CEO, já tinha trabalhado com o Rahul em vários projetos pessoais ou projetos para outras empresas. Eles conheceram-se através de amigos em comum que estiveram no mesmo programa de intercâmbio em 2012. Eu juntei-me a eles no início do ano e expliquei-lhes a falta de tais serviços na nossa universidade. Todos os empreendedores estavam famintos de cofundadores de IT. Mas os projetos falhavam devido aos seus orçamentos limitados. Este foi o ponto de partida do Startup Creator.

– Portanto, o vosso objetivo é disponibilizar serviços low-cost?nStefan: Em Portugal, são raros os cofundadores de IT que sejam experientes, e a contratação de uma agência software não é uma opção devido aos elevados custos que lhe estão associados. Como estamos a operar desde a Índia, somos capazes de oferecer serviços até 80% abaixo do seu orçamento. A necessidade deste tipo de serviços em Portugal – e especialmente em Lisboa, no hub de startups – é enorme. Nós conhecemos cá imensos empresários, com ótimas ideias, mas que não conseguem lançar um primeiro protótipo e testá-lo, e por isso, tentam convencer os investidores com conceitos vagos. Honestamente, eu prefiro investir numa empresa, e não num conceito.

– Esse não é já um mercado muito competitivo?nStefan: Não, de todo. Em Portugal conseguem-se encontrar agências de software em qualquer lado, mas quando se tratam de serviços a preços acessíveis para jovens empresários – e consulta de graça – não há alternativa.

Rahul: Naturalmente que, se pensarmos numa escala global é possível encontrar online serviços baratos e em quantidade. O maior desafio, no entanto, é encontrar um parceiro em quem confiar e que possa construir o projeto consigo. Os bons desenvolvedores normalmente ignoram as startups, pois pensam não ser rentável. Para nós conta mais o relacionamento de longo prazo que se possa construir com as novas empresas.

– Que dificuldades encontraram para converter o vosso projeto em negócio?nRahul: No início, as pessoas estavam céticas relativamente ao facto de a nossa base ser na Índia. Os preconceitos estavam principalmente relacionados com a qualidade. Isso levou-nos algum tempo a alterar, mas agora já estamos a trabalhar em vários projetos com algumas das mais reconhecidas startups portuguesas, que estão felizes pela decisão que tomaram.

Stefan: Nos EUA e no Reino Unido, a divisão do trabalho com a Índia é crucial para a maioria das empresas de IT. Já em Portugal, em geral, o conceito de outsourcing ainda não está completamente incutido, pelo que ainda se leva tempo a educar o mercado. Pensamos que as empresas irão perceber isso em breve, devido à necessidade crescente das novas tecnologias na era da industrialização 4.0.

– Dizem que em Portugal não há muitos cofundadores experientes em IT, no vosso caso quais são as áreas de formação?nStefan: Antes de vir para Lisboa e estudar Estratégia & Consultoria na Católica, tive a oportunidade de fazer consultoria trabalhar em várias startups. Adquiri habilidades em web design ao longo dos anos e neste momento assumo a responsabilidade das áreas de operações e marketing da empresa.

Rahul: Eu estudei Ciência da Computação em Chandigarh, na Índia, e tenho agora mais de 4 anos de experiência em desenvolvimento de web e de aplicações. Neste momento estou a coordenar uma equipa de mais de 50 desenvolvedores e designers e eu estou operando como o CTO Startup Creator.

Stefan: O nosso terceiro associado, Florian, estudou comigo em Lisboa. A sua área de estudo foi Finanças, mas, na verdade, esteve mais focado nas suas startups do que propriamente nos estudos. Neste momento ele está em Nova Deli e trabalha em algumas soluções da IoT – Internet das coisas – para startups.

– Agora que já estão a operar, qual foi a aprendizagem que mais destacam? nRahul: Lançámos o Startup Creator em Junho e de imediato desenvolvemos vários projetos para startups em Portugal e na Alemanha, mas também percebemos que temos de adquirir rapidamente novas habilidades, caso contrário perdemos negócio. Por exemplo, tivemos pedidos de vários projetos de IoT, mas como não tínhamos experiência neste campo, tivemos de rejeitá-los.

Stefan: Mas isso é o que nos motiva ainda mais para explorar novos caminhos. Pode já ficar animado com o que o Startup Creator vai lançar em breve! Se eu tivesse de dar-lhe três palavras-chave seriam: Realidade Virtual Lisboa.

Na foto (da esquerda para a direita): Stefan – COO; Paras – Accout Manager; Florian – CEO e Rahul – CTO.

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