Trump: A melhor campanha de marketing de sempre

Donald Trump foi sempre um outsider na política. Apesar das várias tentativas, nunca tinha conseguido ir longe na corrida presidencial. Talvez o fizesse para ter fama, para melhorar os resultados das suas empresas ou até mesmo só para aparecer, ninguém sabe. Porém, 2016 trouxe a surpresa imensa que ainda estamos a tentar digerir: Trump será o 45º presidente dos Estados Unidos da América. Como tal aconteceu? Os factos estavam lá, mas ninguém os quis ver.

Enquanto se anunciava a morte antecipada da candidatura de Trump, este, por sua vez, não deitou a toalha ao chão como fizera no passado. Aproveitando uma boa equipa de gestores de campanha e a sua experiência no mundo dos negócios, conseguiu ir contra tudo e contra todos, com pertinácia e forte sentido de oportunidade. Hillary Clinton, não sendo a melhor concorrente possível, utilizou exageradamente a imagem do Partido Democrata e de Obama que, apesar de este ter realizado dois bons mandatos, deixou muita gente descontente por diversos motivos. Trump aproveitou esse comodismo da candidata Democrata e utilizou, essencialmente, três simples passos, ligados ao marketing mais puro e duro, alavancando, assim, a sua candidatura e chegando ao topo da hierarquia política americana:

1 – Pesquisas de mercado estão obsoletasnJá Martin Lindstrom o tinha dito em ‘Buy.ology‘, as pesquisas de mercado estão ultrapassadas! O neuromarketing veio substitui-las, tornando-se o futuro na área. Não há certezas que Trump o tenha usado, mas esqueceu e colocou de lado as velhinhas sondagens fazendo a sua campanha sempre apoiada nas mesmas premissas, não se deixando abater pelos pseudo-resultados que o davam como derrotado, estando sempre na mó de cima (ou pelo menos fazendo transparecer isso em público).

2 – ‘Vannilla Marketing‘ nunca maisnAs campanhas politicamente corretas podem parecer as mais inteligíveis e com melhores resultados, mas, num mundo cada vez mais de extremos, torna-se complicado não tomar uma posição em todos os assuntos. Sem opinião, ninguém nos quer ouvir. E Trump tomou. Agarrou-a com unhas e dentes e elevou a política de anti-imigração, de anti-México, anti-China, anti-políticos ao extremo, permitindo-lhe ganhar muitas vozes críticas, mas também muitos apoiantes que, talvez, nunca pensassem simpatizar com a campanha do empresário. Ele podia estar a fazer apenas um papel, nem acreditar no que dizia, mas fazia-o de forma assertórica e bastante dedicada, mostrando às pessoas que, apesar de ter ideias radicais, tem ideias e pretende levá-las até ao fim, contrariando todas as promessas sem fundamento e sem efeitos práticos às quais os políticos nos habituaram.

3 – Os jornalistas de boca cheia não podem falarnO terceiro grande feito de Trump foi criar, progressivamente, bastantes temas de conversa paralelos à campanha, temas que foram debatidos até à exaustão e muitas controvérsias à mistura. O velho mote ‘não há má publicidade, há publicidade‘ foi um dos pontos-chave da campanha de Trump, que foi talentosamente esmiuçado pelos seus gestores. Trump dava comida à comunicação social, eles comiam e olvidavam-se de tudo aquilo que a campanha deveria ser: política.

No fim, podemos refletir bastante sobre esta grande alteração no panorama da comunicação e marketing que Donald Trump nos apresentou em 2016. Muitas teorias caíram e muitos entendidos ainda estarão à volta dos livros que eram sagrados e, agora, servem apenas para ganhar pó nas prateleiras. Indubitavelmente, temos que dar o braço a torcer e ficar encantados com a habilidade de Trump que, para o bem ou para o mal, alterou o curso da história e irá para sempre marcá-la, depois de ter criado aquela que pode ser considerada a melhor campanha de marketing de sempre.

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