Trabalhe a partir de casa. Saiba como!

Se há 15 anos lhe dissessem que ia ter uma entrevista de emprego online, via Skype, aposto que a sua resposta seria algo do género: ‘O quê? Entrevista online? Skype? O que é isso?’

Ainda que, para certas gerações, como a da minha mãe, esta noção de estar online e fazer parte da rede, continue a ser um pouco abstrata e pouco palpável, o certo é que, para as gerações mais novas, que acompanharam o crescer deste boom digital, os conceitos são perfeitamente lógicos e coerentes e não causam qualquer surpresa.

De facto, se queremos ser bem-sucedidos no mundo do trabalho, é vital dominar, não só as novas tecnologias, como também as novas plataformas online e o mundo das redes sociais.

O objetivo do artigo de hoje é o dar a conhecer, ao ainda gigantesco contingente de pessoas que, apesar de utilizar diariamente o e-mail ou as redes sociais, desconhece quase por completo as novas potencialidades que tem ao seu dispor neste mundo online 2.0 (termo inventado por mim, à falta de um melhor…).

Sabia que é perfeitamente possível trabalhar para uma empresa nos EUA a partir da mesa da sua sala de jantar? Ou que pode contratar funcionários para a sua empresa para trabalhar virtualmente para si a partir de qualquer ponto do mundo?

Se ainda não sabia, ou se já ouviu falar de situações do género, mas não sabe bem como o fazer, não se preocupe. Vou mostrar-lhe de seguida algumas opções e ferramentas.

Haverá, certamente, outras alternativas. Não pretendi apresentar uma listagem exaustiva, mas antes elucidar para as possibilidades.

Avancemos por partes.

COMO TRABALHAR ATRAVÉS DA INTERNET?

Atenção, não estou aqui a referir-me ao facto de ser possível encontrar trabalho num qualquer Job Board (site de procura de emprego). Estou a falar de plataformas onde pode criar um perfil profissional, apresentar trabalhos feitos por si, definir os seus preços por hora ou por tarefa, e encontrar clientes.

PLATAFORMAS DE FREELANCING

Basicamente pode utilizar estas plataformas como uma forma de ganhar um rendimento extra, ou como fonte de rendimento principal, tornando-se um freelancer.

Se é um arquiteto, um designer ou um tradutor, por exemplo, pode trabalhar, a partir de sua casa, para clientes localizados em qualquer parte do mundo. Se, de facto, o que faz tem muita procura, poderá até optar por dedicar-se, em exclusivo, a essa atividade trabalhando online.

Há imensas pessoas que começaram apenas por experimentar este sistema e que, depois, se despediram dos seus empregos tradicionais para se dedicar ao freelancing a tempo inteiro. Não só passaram a ganhar mais, como passaram a ter a vantagem de poupar tempo (e dinheiro) em deslocações de, e para, o trabalho.

Claro que, há também aspetos que podem ser considerados como menos positivos ao enveredar por esta opção, e que fazem com que trabalhar desta forma não seja também viável para qualquer pessoa. É necessário ter um certo… perfil. Digo isto porque o facto de ficar ‘sozinho’ e não ter colegas de trabalho, ou o facto de estar em casa e tendencialmente ter mais tempo livre, exigem um boa dose de auto-disciplina e auto-motivação que, convenhamos, não são assim tão fáceis de manter diariamente, nem são características comuns a todos nós. Verdade?

No entanto, se julga que este pode ser um bom caminho para si, então tem várias plataformas ao seu dispôr e que o irão ajudar imenso! Pode registar-se, por exemplo, no Upwork, no Freelancer ou no Fiverr.

Nos dois primeiros, há trabalhos que são postados diariamente (centenas deles!) e aos quais tem de candidatar-se e aguardar por ser o escolhido entre os vários candidatos, acertando depois com o cliente os deadlines e preços, no Fiverr, o conceito de funcionamento é exatamente o inverso. É o cliente que ‘concorre’, ou melhor, que procura o melhor profissional para realizar o seu trabalho e a quem faz a ‘proposta’.

Em todos eles (e em muitos outros, bastará uma rápida pesquisa no Google e achará outros que não refiro aqui) encontrará de tudo! Não precisa ser designer ou web developer para se lançar nestas plataformas. Se tem algum talento, aposte e siga em frente!

Pode, por exemplo, dar aulas de piano a um finlandês utilizando o Skype. Sim, ninguém irá levar com um ponteiro nos dedos se não tiver as mãos, ou os dedos, na posição correta (true story, pelos menos acontecia comigo), mas aposto que irá aprender a tocar na mesma (cá entre nós, não sei se as ditas ponteiradas foram assim tãaao eficazes…).

Convém referir que há imensas empresas que também utilizam estas plataformas para contratar funcionários. Por vezes, apenas com o propósito de realizar uma tarefa específica (compilar uma lista de fornecedores ou fabricantes localizados na China, por exemplo). Outras, com o objetivo de encontrar alguém experiente em determinada área ou função para cooperar por um período de tempo mais longo, beneficiando ao mesmo tempo do sistema de freelancing (também vantajoso para o empregador, uma vez que não existe assim a necessidade de uma contratação efetiva com todos os encargos fiscais inerentes).

REDES SOCIAIS PARA PROFISSIONAIS

Se, no entanto, está à procura de trabalho no sentido mais tradicional, uma boa aposta é criar um perfil profissional com um Curriculum Vitae atualizado em algumas redes sociais dedicadas ao mundo do trabalho e negócios, como o Linkedin ou o Bebee. Não é novidade que estas redes sociais são também utilizadas pelas empresas para recrutar e selecionar funcionários.

Uma boa dica é utilizar o Linkedin para criar redes de contactos no seu nicho de negócio, profissão/área. Esses contactos poderão ser-lhe muito úteis, não só para mostrar ao empregador/recrutador o meio em que se move, mas também para ir auscultando potenciais vagas e oportunidades de emprego.

Vale a pena deixar uma nota final para relembrar que deve evitar publicar coisas no seu perfil das quais possa vir a arrepender-se mais tarde. A privacidade nas redes sociais é bastante limitada, e aquilo que publicar poderá sempre ser encontrado, mesmo tempos depois, pelos motores de busca. Seja prudente!

SAIBA COMO TIRAR PROVEITO DE MARKETPLACES!

Nunca ouviu falar em marketplaces? Em termos simples são plataformas de oferta e procura de serviços. Pode criar um perfil profissional, apresentando os serviços que disponibiliza e em que cidade ou região está disponível para efetuar os trabalhos e, depois, basta aguardar e começará a receber pedidos de orçamentos de clientes.

Se conhece, vale a pena visitar a Thumbtack, ou a StarOfService, para se familiarizar com o conceito e, quem sabe, até para se registar como profissional ou passar a utilizá-las como cliente.

A Thumbtack é, talvez, a primeira grande plataforma que surgiu neste mercado dos serviços. É americana e, tanto quanto sei, ainda só está disponível em solo americano, mas é um verdadeiro gigante! No entanto, como este tipo de plataformas opera com base na proximidade entre o cliente e o profissional, a não ser que esteja a residir na América, esta não será talvez a opção para si.

A StarOfService surgiu em 2012, em França, e é atualmente a maior plataforma de contratação de serviços a nível europeu. Se realmente tiver interesse em experimentar este tipo de plataformas a StarOfService.pt está já em operação no mercado português!

COMO FUNCIONAM ESTAS PLATAFORMAS?

Imagine que é um cliente e que precisa de um pintor. Acede à plataforma e preenche um pequeno formulário onde especifica com mais detalhe aquilo que pretende. O pedido feito pelo cliente pode ser para qualquer área ou serviço: canalizadores, advogados, babysitters, pintores, fotógrafos, carpinteiros, dermatologistas, cabeleireiros… Tudo, mesmo tudo! (Pelo que consegui perceber, na StarOfService há seguramente mais de 600 categorias de serviços disponíveis!) Após indicar o que pretende e associar os seus dados de contacto (telefone e/ou email), apenas tem de aguardar.

O que a plataforma depois faz é encaminhar o pedido do cliente para os profissionais/empresas registradas, dentro da categoria do serviço pretendido, e que se encontram mais próximas do cliente em termos de localização.

Depois, os profissionais/empresas interessados em realizar o serviço, enviam uma proposta de orçamento ao cliente. Por sua vez, o cliente irá optar por realizar o serviço com o profissional/empresa que entender melhor responder às suas solicitações, tratando de tudo diretamente com o profissional que selecionou.

EM RESUMO:

Se eu for o cliente, em vez de ter de ligar para 8 diferentes clínicas de reparação de computadores a pedir orçamentos para arranjar o meu portátil, basta-me fazer um pedido, uma única vez, numa destas plataformas e aguardar os orçamentos.

Por outro lado, se eu for profissional, ao estar inscrito nestas plataformas, tenho:

  • maior visibilidade online;
  • uma página na internet, onde posso apresentar a minha empresa e/ou os serviços que disponibilizo;
  • e ainda recebo pedidos de orçamento para diversos trabalhos através da plataforma de marketplace, aumentando assim as possibilidades de obter novas solicitações de trabalho e, simultaneamente, alargando o meu núcleo de clientes.

Mais uma vez, recordo que há outras plataformas deste género, eu pretendo apresentar aqui as potencialidades, e não, listá-las a todas. Uma nota final ainda para lembrar que este mundo online 2.0 e o recurso a plataformas e ferramentas como as que apresentei não é o futuro, é sim uma realidade bem presente em muitas áreas e profissões.

Eu, por exemplo, trabalho em horário full time, em regime online, a partir da minha casa em Lisboa, para uma empresa multinacional que não tem escritórios em Portugal. A empresa recrutou-me inicialmente através da plataforma de freelancing Upwork, onde eu estava registada. A minha entrevista de trabalho foi feita via Skype e é assim que tenho reuniões com os meus colegas de equipa e os meus superiores todas as semanas.

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Ana Prata
Formada em História Contemporânea, Deteção Remota e Sistemas de Informação Geográfica. Actualmente trabalha como assistente virtual e traz o bichinho da investigação para o mundo digital.

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