Neste artigo, Philipp Reisinger analisa porque é que janeiro é um momento estratégico para os empreendedores repensarem as suas equipas de liderança, num contexto de elevada mobilidade executiva em Portugal e no Brasil, e explica como o executive search pode funcionar como uma verdadeira ferramenta de redução de risco e apoio ao crescimento sustentável.
Janeiro tem um ritmo diferente para quem empreende. Não é apenas o início de um novo ano ou de um novo ciclo de metas. É um período em que a operação abranda ligeiramente, o ruído diminui e a reflexão ganha espaço. Muitos empreendedores usam este momento para rever números, ajustar estratégias e redefinir prioridades. Poucos, porém, dedicam o mesmo nível de atenção a um fator determinante para o crescimento do negócio: as lideranças que irão conduzir o próximo capítulo da empresa.
O contexto de Portugal e Brasil em 2026
Em 2026, o mercado de liderança em Portugal e no Brasil apresenta um traço comum: elevada competitividade e crescente mobilidade entre executivos seniores. No Brasil, pesquisas conduzidas nos últimos ciclos por consultoras globais de executive search mostram que mais de 80% dos executivos se declaram abertos a novas oportunidades profissionais. Este dado revela um mercado aparentemente líquido, mas que esconde um desafio profundo para quem empreende: a dificuldade de atrair e, sobretudo, reter líderes alinhados com o projeto de longo prazo.

Os mesmos estudos indicam que mais de metade das empresas brasileiras reporta dificuldades simultâneas em encontrar executivos qualificados e em reter os que já possuem, sobretudo em funções ligadas ao crescimento, transformação digital, governação e escalabilidade. Em 2026, este desalinhamento deixou de ser conjuntural e passou a assumir um carácter estrutural.
Em Portugal, apesar de o mercado ser mais reduzido, a pressão é igualmente intensa. O país consolidou-se como um polo de centros de serviços partilhados, tecnologia e operações internacionais, empregando dezenas de milhares de profissionais altamente qualificados. Este movimento intensificou a concorrência por líderes experientes e aumentou a mobilidade de executivos portugueses no espaço europeu, criando um cenário em que empresas em crescimento disputam talento não apenas a nível local, mas também internacional.
A pergunta que todo empreendedor precisa de fazer
Perante este cenário, janeiro convida a uma pergunta simples, mas decisiva: a equipa de liderança que trouxe a empresa até aqui é a mesma que a vai levar ao próximo nível?
À medida que o negócio cresce, as exigências mudam. O que antes dependia sobretudo de execução e proximidade passa a exigir visão estratégica, capacidade de gestão da complexidade, tomada de decisão em contextos de incerteza e liderança de pessoas em ambientes de mudança constante. Ignorar esta transição é um dos erros mais comuns — e mais dispendiosos — no percurso empreendedor.

Onde o executive search entra como ferramenta estratégica
É neste ponto que o executive search deixa de ser visto como recrutamento e passa a ser entendido como uma extensão da estratégia do empreendedor. Ao contrário dos processos tradicionais, não começa com uma vaga, mas com um diagnóstico profundo do negócio, do seu momento e das suas ambições futuras.
O executive search atua de forma ativa no mercado, identificando líderes que muitas vezes não estão à procura de uma nova posição, mas que reúnem experiência, maturidade e perfil para conduzir a próxima fase da empresa. O foco não está apenas no percurso profissional, mas na trajetória, no estilo de liderança, nas competências comportamentais e no alinhamento cultural.
Crescer também é reduzir risco
Para quem empreende, o principal valor deste processo está na redução de risco. Uma contratação sénior desalinhada pode atrasar planos de expansão, comprometer a cultura organizacional e gerar tensões difíceis de corrigir. Em 2026, com margens de erro cada vez mais reduzidas, acertar na liderança tornou-se um fator crítico de sobrevivência, e não apenas de crescimento.
Processos estruturados de executive search aumentam significativamente a probabilidade de acerto porque consideram contexto, timing e propósito, e não apenas experiência técnica ou notoriedade de mercado.

Janeiro como ponto de decisão
Janeiro oferece algo raro ao empreendedor: distância emocional face à operação. É quando se torna possível observar a empresa como um sistema e não apenas como uma sucessão de urgências. É nesse momento que se torna mais claro se a liderança atual está preparada para escalar, profissionalizar ou transformar o negócio.
No final, a lógica é simples. O crescimento sustentável não acontece apenas com boas ideias, produtos ou capital. Acontece quando as pessoas certas estão sentadas à mesa certa, no momento certo. Janeiro passa depressa, mas as decisões tomadas neste mês tendem a definir o ritmo de todo o ano.






