Francisco Correia: “A sustentabilidade é uma oportunidade para a indústria do papel”

Na foto: Engº Francisco Correia, Gerente da Ancor

A sustentabilidade pode ser uma oportunidade para a indústria do papel. Em entrevista ao Empreendedor, Francisco Correia, Gerente da Ancor, empresa do setor da papelaria, salienta que a maior consciencialização ambiental dá à indústria do papel a oportunidade de apresentar soluções de embalagens mais sustentáveis.

Criada há 50 anos por António Correia, a partir de uma oficina artesanal, na cidade do Porto, a Ancor atualmente com sede em Vila do Conde é dirigida por Francisco Correia, filho do fundador e exporta para mais de 30 países, em diversos continentes.

Ao longo da sua existência a empresa passou por diversos desafios, mas a atual escassez de matérias-primas e a crise energética, resultante do conflito na Ucrânia é, na opinião de Francisco Correia, um dos momentos mais desafiadores.

Operando na indústria de embalagem de luxo e produtos de papelaria, além de uma componente gráfica, Francisco Correia vê a aposta na sustentabilidade como um dos pilares estratégicos do desenvolvimento da empresa e como forma de atravessar a crise.

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Uma sucessão de crises empurrou a economia e, particularmente, o setor industrial global para momentos de incerteza nunca vistos. Como vê a situação atual globalmente e, em particular, em Portugal?

A situação atual global é muito desafiante e incerta, com várias crises sucessivas a afetar a economia mundial. A pandemia da COVID-19 tem sido uma das principais fontes de instabilidade, com impacto significativo na saúde pública e na economia global. Além disso, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia tem gerado tensões geopolíticas enormes e agudizado de forma intensa as perturbações já existentes no fornecimento de matérias-primas e energia. Também há preocupações com a inflação elevada, as taxas de juro crescentes e os custos energéticos muito elevados, que afetam as finanças públicas dos países e os custos de produção das empresas. Tudo isso cria um ambiente desafiador para as empresas, que precisam se adaptar rapidamente às mudanças no mercado e às novas regulamentações.

Em Portugal, as empresas enfrentam desafios semelhantes aos do resto do mundo. A pandemia tem afetado severamente vários setores, com um impacto particularmente significativo na indústria e no turismo. A escassez de recursos humanos qualificados também tem sido um desafio para muitas empresas, que precisam competir com outras organizações para recrutar talentos. Além disso, a inflação e os custos energéticos elevados estão a pressionar as margens de lucro das empresas.

Apesar desses desafios, também há oportunidades para as empresas se adaptarem e inovarem, como é o caso da crescente ênfase na sustentabilidade. A pressão dos consumidores e das regulamentações está a levar as empresas a adotarem práticas mais sustentáveis, o que pode abrir novos mercados e aumentar a fidelidade dos clientes.

A escassez de recursos humanos qualificados tem sido um desafio para as empresas

Na foto: Francisco Correia, junto a alguns produtos da empresa

Na sua área de negócio, como perspetiva o futuro, em especial ao longo deste ano?

Na área de negócio da ANCOR, a indústria de papelaria e embalagem de luxo, 2023 será um desafio. A forte inflação que se tem vindo a sentir terá um impacto significativo no poder de compra das famílias, o que pode afetar negativamente a nossa atividade. Contudo, acreditamos que existem oportunidades a explorar no âmbito da sustentabilidade, uma vez que temos vindo a assistir a uma maior consciencialização ambiental por parte dos consumidores e das empresas.

Além disso, o arrefecimento da economia é também uma preocupação, visto que pode levar a uma redução da procura por parte dos nossos clientes. No entanto, acreditamos que a nossa presença em feiras internacionais, como a Ambiente 2023 em Frankfurt e a Insights X em Nuremberga, após três anos de estarem inativas devido à situação pandémica, pode ser uma oportunidade para consolidar as relações comerciais com os nossos clientes internacionais e estabelecer novas parcerias. A ANCOR está sempre atenta às tendências de mercado e procurará adaptar-se aos desafios que se apresentam, mantendo-se fiel à sua visão de excelência e inovação.

Foto de Karolina Grabowska em Pexels

Na sua opinião, que medidas deveriam ser tomadas pelos órgãos de decisão, no sentido de antecipar e minimizar esses riscos? Como devem agir os empresários e consumidores?

Para minimizar os riscos associados à atual situação de incerteza global, é importante que os órgãos de decisão tomem medidas concretas em várias áreas. Em primeiro lugar, é essencial que a União Europeia adote uma postura proativa e desenvolva soluções para lidar com a situação gerada pelos custos energéticos muito dispares entre os diversos blocos económicos. Para isso, pode ser necessário apoiar a indústria de forma a mitigar essas discrepâncias.

Os governos devem igualmente apoiar as empresas e as famílias, de forma a minimizar o impacto da crise económica. Nesse sentido, podem ser adotadas medidas como a concessão de empréstimos a juros baixos, a redução de impostos e a criação de incentivos fiscais para a investimento em atividades com impacto positivo na economia e na sociedade.

Também é importante que se adote uma política de redução da dívida, tanto pública como privada, para minimizar a exposição a taxas de juro crescentes. Os empresários, por sua vez, devem estar preparados para enfrentar os desafios associados a esta situação de incerteza e, se necessário, reavaliar a sua estratégia de negócio.

Por fim, é fundamental que os consumidores também estejam conscientes da situação e adotem comportamentos responsáveis em relação às suas finanças pessoais. Devem ser prudentes na gestão do seu orçamento, evitando o endividamento excessivo e fazendo escolhas mais sustentáveis.

Assim, para antecipar e minimizar os riscos associados à atual situação de incerteza global, é essencial que sejam tomadas medidas concretas pelos órgãos de decisão, pelos empresários e pelos consumidores, de forma a promover a sustentabilidade e a estabilidade da economia e da sociedade em geral.

Investimos em soluções de autoconsumo para reduzir a dependência de energia externa

Na foto: Francisco Correia, junto a monumento com os valores da empresa na entrada da sede

Que medidas, soluções ou serviços a ANCOR está a desenvolver para enfrentar esses desafios?

A ANCOR está ciente dos desafios que enfrenta no atual contexto económico global e está empenhada em desenvolver medidas para enfrentar esses desafios. Em particular, a ANCOR está a investir em soluções sustentáveis para as suas linhas de produtos, incluindo a linha Ecologique by Ancor, que oferece produtos amigos do ambiente. Além disso, a ANCOR está a oferecer soluções de embalagem sustentáveis e ambientalmente responsáveis através da sua divisão de Packaging.

A empresa está a investir também na sua própria sustentabilidade, através da implementação de uma solução de autoconsumo que reduzirá a sua dependência de fontes de energia externas. A ANCOR está ainda a investir na melhoria da produtividade global da empresa, através da automação e robotização, que aumentarão a eficiência da produção e reduzirão os custos operacionais.

Estas são apenas algumas das medidas que a ANCOR está a desenvolver para enfrentar os desafios do futuro. A empresa está empenhada em encontrar soluções inovadoras e eficazes para enfrentar os desafios atuais e futuros, mantendo sempre a sua preocupação com a sustentabilidade e o bem-estar social e ambiental.

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