Mikael AraújoEu sei que, na situação atual, nós devemos estar tremendamente agradecidos pelo trabalho que temos. Mas por mais que sejamos gratos, todos sentimos uma profunda necessidade de mudança...
Recentemente,
uma das pessoas com a qual tive a oportunidade de trabalhar durante um certo
tempo, e com uma posição bastante interessante, resolveu mudar e trabalho.
Antes do anúncio de sua saída, ela simplesmente disse: “Mikael, é hora de dar
tchau!”
Confesso que na hora me lembrei dos Teletubbies, famoso seriado infantil da década de 90 em que um tubo falante exprimia a seguinte frase: “É hora de dar tchau!”
Naquele momento eu não entendi a sua decisão. Depois de alguma reflexão, recordei do que disse o chef de cozinha Francis Mallmann em um episódio do seriado "Chef's Table", da Netflix. Lá, o chefe relata que depois de um tempo trabalhando com ele, as pessoas devem sair. Isto porque ele acredita que deva haver uma troca de energia entre aquele que já aprendeu com ele tudo o que deveria e o novato ávido e com sede por conhecimento.
“ (...) uma troca de energia entre aquele que já aprendeu tudo o que deveria e o novato ávido e com sede por conhecimento."

Para muitos - e eu me incluo nisso - conseguir trabalhar na empresa dos seus sonhos e ter o trabalho desafiante que sempre desejou, pode representar a meta de uma vida inteira. Com ela surgem vários aprendizados, objetivos, viagens, um bom salário e alguns benefícios. Porém, o passar dos anos e as circunstâncias podem transformar metas desafiantes em pura pressão, antigos aprendizados em rotina, viagens antes deslumbrantes em lugares comuns e um salário que já não cobre mais o seu estilo de vida.
Neste ponto,
perder os sinais de que o seu trabalho já não é mais adequado para você é muito
mais fácil do que as pessoas imaginam. Para algumas pessoas, isto é ainda mais
forte quando se está casado, com filhos e em um país repleto de desempregados.
Eu sei que nós devemos ser tremendamente agradecidos pelo trabalho que temos. Isto principalmente se a sua situação atual atende às suas necessidades. Mas por mais que sejamos gratos, todos sentimos uma profunda necessidade de mudança, que nem sempre se traduz em bons salários, ambientes super criativos ou reconhecimento. A necessidade pode vir de algo mais profundo como o de poder ter mais tempo para si, para a família, mais qualidade de vida, um ambiente menos tóxico ou novos aprendizados e pessoas.
Permanecer em um local que te satisfaz, te remunera bem e em que você está se saindo melhor que a maioria é muito bom! Mas eu convido a pensar no longo prazo e na sua empregabilidade.
Depois de um
tempo trabalhando como freelancer, ?você logo aprende que para receber
bons projetos e ter os melhores clientes, você precisa ter histórias para
contar. Isso mesmo, histórias.
São as suas histórias cheias de muito trabalho, inúmeros desafios, suor e conquistas. Elas são que com frequência chamamos de currículo, portfólio ou de perfil - no caso de alguns freelancers.
Ao fim de
cada projeto, além de ganhar um novo parceiro de negócios, eu coleciono mais e
mais histórias. Você se lembra de quão boas histórias a sua carreira possui? De
quais foram os grandes desafios que você já enfrentou e venceu? Daquilo que era
bem difícil no início e que depois ficou muito fácil? Pois é, às vezes é bom
ter isso de volta.
Mas aí pode pairar a dúvida de como saber qual é a hora certa para começar a pensar em mudar de trabalho e de projeto. Um bom sinal é tentar descobrir a sua taxa de empregabilidade, ou seja, o quão rápido você pode se realocar ou adaptar-se a um novo projeto.
Resumidamente,
eu poderia dizer que quando você estiver em um lugar que não te desafie, que
não lhe forneça oportunidades e novos desafios, ou quando você perceber que
pode estar oferecendo mais ao trabalho do que recebendo dele, a sua
empregabilidade já pode estar caindo consideravelmente.
Ao
realizarmos as mesmas tarefas e lidarmos com as mesmas pessoas durante um certo
tempo, pode contribuir para criarmos uma bolha à nossa volta. Essa bolha
concentra as atividades e os relacionamentos com os quais já estamos
acostumados a lidar. Não há atritos, descobertas, emoção. Às vezes há um quê de
frustração, de sentimento de subutilização e estresse.
Para que
possa identificar alguns sinais que podem servir de alerta para que as pessoas
pensem em mudar de trajetória, separei os 5 mais claros que identifiquei.

Quando ao entrar no escritório, ou durante a execução de seu trabalho diário, você adota uma personalidade totalmente diferente da que assumiria se estivesse com sua família e amigos. Ou seja, quando você não consegue ser “você mesmo” no trabalho. Isto por pressão pessoal ou por que o ambiente não propicia que você aja desta forma.
Você está
trabalhando em um grande projeto. Ele é bastante estressante e você já passou
por esta situação várias e várias vezes. Ao terminá-lo este projeto, outro já
está na fila. Depois desse outro, e mais outro e mais outro. Em cada projeto
você recebe uma dose de estresse e ansiedade, como em um loop. Às vezes você
acorda no meio da noite preocupado com o trabalho do dia seguinte.
Quando você não vê nenhuma oportunidade de avançar na companhia da qual está fazendo parte. Não importa o quanto você trabalhe duro e se esforce para mostrar aos gerentes do que é capaz. É aquela famosa promoção que nunca vem.
Quando em
plena terça-feira você já fica ansioso pelo fim-de-semana, mas quando o sábado
chega, você fica preocupado com o trabalho e até acorda mais cedo no domingo
para resolver assuntos que seriam tratados apenas na segunda-feira. Isto é
muito comum na modalidade de trabalho home office onde ao se tentar pegar um
projeto atrás do outro pode fazer com que o indivíduo acabe por se isolar
dentro de casa.
Você detesta
as segundas-feiras e vai ao trabalho na esperança que a sexta-feira chegue o
mais rápido possível. Você detesta ir trabalhar e torce para que seu horário
termine o mais rápido possível. Mas é o contrário que acaba acontecendo.
O corpo é um
dos melhores conselheiros que podemos ter. Escute-o! Suas pernas doem por
passar muito tempo sentado ou em pé? Você já tem sentido os sintomas físicos
que o estresse pode causar? Talvez seja a hora proporcionar ao seu corpo o descanso
que ele merece.

Estes são
apenas alguns sinais. Observe o seu estágio pessoal e profissional e
assegure-se de que sua taxa de empregabilidade esteja dentro dos parâmetros do
mercado. Ou seja, esteja competitivo no momento em que decidir mudar.
Você pode
preparar-se com cursos, com uma viagem, com a prática de exercícios, começando
a ter mais tempo com a família, etc. Você não precisa romper tudo de uma vez (a
não ser que seja extremamente necessário). Converse com algumas pessoas e
escute seus instintos para saber a hora certa de mudar de rota.
Qual é a sua opinião? Você já se deparou com algum destes sinais antes de decidir mudar de trabalho? Quais são outras sugestões que você gostaria de acrescentar? Entre na conversa.