Pedro Ramos: “Empreender é escolher um caminho difícil, mas que vale a pena percorrer”

Na foto: Pedro Saldanha Ramos, cofundador da DETU TECH e criador da FOXG1

Pedro Saldanha Ramos é um dos fundadores da DETU TECH, uma startup portuguesa pioneira no desenvolvimento de soluções baseadas em hardware para a Internet das Coisas (IoT). Nesta entrevista exclusiva, Pedro Ramos explora as características únicas do seu FOXG1, mas também os desafios e aprendizagens do seu percurso empreendedor. Assumindo-se como um ‘first-time founder’, Pedro ensina-nos que inovar é “escolher um caminho difícil, mas que vale a pena percorrer”.

A DETU TECH é uma startup portuguesa que desenvolve soluções inovadoras através de hardware baseado na Internet das Coisas (IoT). O seu produto mais recente é o FOXG1, um colete que promete revolucionar o rendimento desportivo recolhendo dados dos atletas, como posição, velocidades, acelerações, em qualquer desporto.

Com um sistema de ‘beacon plug-and-play’, o colete é equipado com sensores que captam os movimentos dos atletas e atuam como um sinalizador, transmitindo essa informação para um software que a analisa e gera relatórios sobre o desempenho dos atletas. Os relatórios podem ser usados pelos treinadores para personalizar os treinos e ajudar os atletas a melhorar as suas fraquezas.

Na foto: Equipamento de IoT do FOXG1, exposto na Web Summit

A tecnologia dispõe de uma rede wi-fi própria, não necessitando de conexão internet ou de satélite para recolher dados em tempo real. Com uma capacidade para tratar 6.000 registos por minuto por jogador, oferece uma visualização personalizada dos indicadores mais relevantes para a tomada de decisão e é uma ferramenta útil para treinadores.

Fundada por Pedro Saldanha Ramos e Nuno Santos, a startup inicialmente orientada para a área da consultoria, desde logo se orientou para a tecnologia do tracking à medida que o projeto FOXG1 ganhava forma.

“A ideia surgiu de um projeto de consultoria, na área do desporto, que nos fez olhar para o estado da tecnologia de tracking”, explica Pedro Ramos. “Numa discussão com o Nuno Santos, chegámos à conclusão que existia um espaço, pouco explorado, nos desportos indoor, especialmente no que diz respeito a dados em real-time”.

Essa mudança na estratégia da startup levou à integração na equipa de mais dois cofundadores: Bernardo Galego e Francisco Dias. “Juntos desenvolvemos o primeiro conceito e submetemos uma proposta ao programa de aceleração do S.C. Braga, o SCB Innovation Hub. Fomos bem-sucedidos e temos vindo a desenvolver, em conjunto com a equipa do S.C. Braga, aquilo que agora denominamos de FOXG1”, resume Pedro Ramos.

Foto de Freepik

No próximo ano, a empresa pretende começar testes com equipas brasileiras e espanholas. Pedro Ramos acrescenta que a startup tem ambições internacionais e pretende levar a sua tecnologia a todas as equipas e desportos do mundo.

“Quero que o FOXG1 venha democratizar o acesso a dados no desporto. Não faz sentido que a análise de dados esteja limitada aos grandes clubes de primeira divisão e, ao mesmo tempo, apenas aos desportos praticados no exterior”, adianta. “Vamos levar uma solução acessível, versátil e Made in Portugal, a todas as equipas e desportos do mundo, começando, naturalmente, pelo nosso país”.

Um ‘First-Time Founder’

Se o colete FOXG1 tem o potencial de revolucionar o rendimento desportivo ajudando os atletas amadores a profissionais a obterem melhores resultados, a sua implementação como negócio também pôs à prova as competências empreendedoras da equipa de fundadores, desafiando-os a ultrapassar também os seus limites.

Pedro Ramos destaca a importância de abraçar a inexperiência como um estímulo para a aprendizagem contínua, enfatizando a necessidade de flexibilidade e agilidade na resolução de desafios.

“Sou um ‘first-time founder’. Quando tomei conhecimento deste conceito dentro do ecossistema identifiquei-me com alguns dos aspetos que o definem, nomeadamente, a incerteza sobre como resolver os desafios mais comuns num ambiente com poucos recursos e onde a velocidade é determinante”, salienta Pedro Ramos.

“Apesar de ser visto como um fator de maior incerteza, procuro olhar para esta ‘inexperiência’ como um fator motivador para testar rápido e reagir de forma ágil, sem ficar preso às hipóteses traçadas inicialmente. Indo além do que alguns professores me ensinaram no Instituto Superior Técnico. O desconhecimento das ‘regras’ e a disponibilidade para estudar e procurar alternativas, sem preconceitos, também fortalece e permite ultrapassar a maioria das adversidades, algo que também aprendi naquela instituição”.

Foto de Freepik

Para Pedro Ramos a experiência é importante, mas não é essencial para o sucesso de um empreendedor. O que verdadeiramente vale a pena é a capacidade de aprender e rodear-se de pessoas que o ajudem e desafiem.

“A maior aprendizagem que posso tirar do percurso que tive nos últimos dois anos enquanto founder é a de aceitar que não sabemos o que desconhecemos e que a constante será a aprendizagem. Neste sentido, é tremendamente importante rodear-nos, seja na equipa que se junta ao desenvolvimento do projeto ou na equipa de advisors, de pessoas que nos complementem e, talvez mais relevante, nos questionem sobre a maneira como estamos a encarar a nossa visão, mesmo que seja difícil”.

“Isso é ser empreendedor: compreender que existe um caminho para a inovação, que esse caminho não é o mais fácil de traçar e que, por isso, valerá a pena percorrê-lo.”

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