Retoma pós pandemia: Estudo avalia impactos setoriais

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Um consórcio de 4 startups portuguesas lançou um estudo pormenorizado sobre o impacto do COVID-19 em Portugal e antecipam os impactos setoriais na retoma.

Saúde e Beleza será o setor com mais rápida recuperação, enquanto o turismo tardará muito tempo a recuperar metade do seu volume anterior; Retalho demorará três meses a atingir 70% do volume anterior, com pior margem. A nova normalidade exigirá aceleração da transformação digital, com o e-commerce a crescer a uma taxa mais rápida do que o que estava a acontecer; Centros comerciais são os mais afetados: nunca mais irão ter o mesmo tráfego.

Espaço 3D, Wise Pirates, StarkData e Play Growth, são 4 startups que concentraram esforços para partilhar o seu conhecimento, experiência e capital humano, para criar uma espécie de mapa de navegação para outras empresas e assim as ajudarem a preparar-se. No estudo que agora divulgaram, analisam possíveis cenários do impacto da pandemia.

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A análise realizada aos dados médicos, da economia e do consumo realizada pelas startups portuguesas signatárias deste estudo, bem como a análise preditiva produzida através de modelos matemáticos após normalização e cruzamento de dados, enriquecidos por research internacional, análise de Google Trends e de comportamento de dezenas de marcas portuguesas em tempo real e de dados do mercado chinês nas últimas semanas permite aferir que:

 Se as medidas de isolamento se mantiverem, o aparecimento de novos casos oscilará entre 1% e 4%. O que significa que a situação de saúde ficará controlada, apesar da imunização avançar lentamente, mas a situação económica degradar-se-ia muito a partir de maio.

Por outro lado, se as medidas de proteção forem drasticamente levantadas, a curva de propagação da infeção vai aumentar numa questão de semanas, podendo oscilar entre 10% a 20%. Se o confinamento for levantado moderadamente, a curva de propagação da doença subirá ligeiramente, mantendo-se entre 5% a 10%, dando início ao processo de imunização. Neste cenário o isolamento de grupos de risco é crucial.

A nova normalidade exigirá aceleração da transformação digital

Numa perspetiva económica, o levantamento das restrições seria benéfico para todos os setores, contudo as PMEs e startups são as entidades que mais beneficiariam com uma saída controlada do confinamento. Mas a retoma da economia terá de se adaptar a uma nova realidade. A confiança dos consumidores ficará abalada por um período indefinido de tempo e a relação social será deslocada para o “espaço casa”.  

A redução de espaços físicos e a criação de mais e melhores espaços de e-commerce fará parte da nova normalidade. Nos serviços, o atendimento ao domicílio tenderá a crescer significativamente e os aspetos de higiene serão valorizados.

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O setor da saúde e beleza tenderá a ter uma recuperação mais rápida, sendo que negócios como clínicas de especialidades e espaços de beleza tenderão a recuperar cerca de 70% a 80% do seu negócio entre uma a três semanas. Já o setor de alimentação e bebidas enfrentará novos desafios, dados da China indicam que a recuperação de 80% da atividade nestes negócios poderá demorar entre três a seis meses.

Os centros comerciais continuarão a ser relevantes, mas o tráfego será muito menor. A recuperação demorará cerca de dez a quinze semanas a chegar a 70% a 80% do seu tráfego anterior.

O setor da saúde e beleza tenderá a ter uma recuperação mais rápida

O turismo é o setor que apresenta níveis de recuperação mais lentos. Não deverá chegar a recuperar 70% da sua atividade normal e mesmo a recuperação de 50% poderá demorar muitos meses, com margem operacional pior que no passado. O alojamento local terá grande elasticidade de preços e é provável que demore anos a recuperar os números de 2019, o que também deverá fazer parar o crescimento da oferta de forma quase imediata.

Este estudo junta o know-how das 4 startups em gestão, marketing, performance, economia e inteligência artificial e as suas conclusões transmitem insights relevantes para as empresas e empreendedores, desafiando-os a preparar-se para uma nova normalidade.

“Pareceu-nos absolutamente essencial desafiar a StarkData, a Wise Pirates e a Play Growth para se juntarem a nós na realização deste estudo. Temos hoje, mais que nunca a responsabilidade de preparar as nossas empresas para a realidade económica que está a surgir. Mais que voltar ao pré-COVID, temos literalmente de construir um mundo novo pós-COVID” – enfatiza Catarina Santos Nunes, CEO da Espaço 3D.

Os centros comerciais continuarão a ser relevantes, mas o tráfego será menor

João Ramos e Miguel Reis, Data scientists da StarkData  sublinham que é necessário “definir estratégias baseadas em dados fiáveis e completos”, por isso este estudo pretende “ajudar as empresas a desenvolver os seus planos de recuperação e catalisar o relançamento da economia”, um projeto de resto muito próximo do ADN da StarkData, acrescentam.

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Para Pedro Barbosa, CEO da Play Growth, uma consultora boutique em comércio eletrónico, “esta fase difícil acaba por empurrar a transformação digital em Portugal, que em termos de e-commerce estava muito atrasada. O novo normal será muito mais digital, não só na compra online, mas sobretudo na influência e há agora uma oportunidade enorme para as PME portuguesas se modernizarem.”

Daniela Cunha, da Wise Pirates, agência de performance que trabalha mais de 100 marcas em Portugal, confirma que “as taxas de conversão de e-commerce em Portugal nunca foram tão elevadas”. Com efeito, elas cresceram mais de 100% em média e mais de 900% em vários casos durante o período de confinamento.

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