África: dados turísticos mais transparentes, mas lacunas persistem

Relatório da Nova SBE analisa dados turísticos em África, destacando avanços nos dados abertos e desafios na atualização e capacidade estatística.

Foto de Fauxelsem Pexels

Um novo relatório do Nova SBE WiTH Africa identifica progressos no acesso e usabilidade de dados turísticos em África, mas alerta para dificuldades persistentes na atualização regular da informação.

O continente africano tem vindo a reforçar o seu compromisso com dados abertos e com a digitalização da informação turística, embora persistam desafios estruturais na atualização regular dos dados. Esta é uma das principais conclusões da edição de 2025 do relatório African Tourism Data Ecosystem, desenvolvido pela iniciativa WiTH Africa da Nova School of Business & Economics.

Dando continuidade à primeira edição publicada em 2023, o estudo analisa a disponibilidade, acessibilidade e usabilidade dos dados turísticos, sublinhando a crescente importância da informação empírica para o planeamento, o investimento e o desenvolvimento sustentável do setor. Segundo o relatório, vários países melhoraram a frequência e atualidade dos seus conjuntos de dados, reconhecendo o papel da informação recente na definição de políticas públicas e decisões estratégicas.

Cabo Verde, Quénia, Maurícias e Tanzânia mantêm-se como os países com melhor desempenho em 2025, resultado de investimentos continuados em sistemas estatísticos e infraestruturas digitais. O relatório destaca ainda a entrada do Togo no grupo de países com melhor classificação, sinalizando que esforços institucionais recentes podem traduzir-se rapidamente em ganhos de qualidade e visibilidade dos dados nacionais.

A análise evidencia também o papel das plataformas internacionais, como o Banco Mundial, na disponibilização de dados regionais consistentes e comparáveis, complementando os esforços nacionais, bem como a relevância de iniciativas de dados abertos promovidas por organizações não governamentais.

Apesar dos progressos, subsistem limitações ao nível da expansão temática dos indicadores, da atualização sistemática da informação e da capacitação técnica de alguns sistemas estatísticos nacionais. Segundo Alice Caetano, do WiTH Africa, “investir continuamente em infraestruturas digitais, fortalecer a capacitação institucional e promover a coordenação regional é fundamental para responder às crescentes exigências de qualidade dos dados”, acrescentando que os dados abertos são “um pilar essencial para um turismo mais sustentável, resiliente e inclusivo em África”.

O relatório sublinha que a melhoria da qualidade dos dados turísticos é determinante para apoiar políticas públicas mais informadas e para criar um ambiente mais transparente e atrativo ao investimento num dos setores económicos mais relevantes para vários países africanos.