“Pagamentos entram em ponto de viragem com IA”

Pedro Pereira, da BCG, alerta que o setor dos pagamentos entra num ponto de viragem com IA, moedas digitais e transações em tempo real.

Empresas estão preparadas para enfrentar choques globais.
Na foto Pedro Pereira, Managing Director & Senior Partner da BCG em Lisboa.

A desaceleração do crescimento das receitas obriga bancos e fintechs a rever modelos de negócio, defende Pedro Pereira, da BCG, num setor pressionado por IA autónoma e moedas digitais.

O setor dos pagamentos está a entrar numa fase decisiva, marcada por crescimento mais lento, maior pressão sobre margens e uma transformação tecnológica acelerada. A leitura é de Pedro Pereira, Managing Director & Senior Partner da Boston Consulting Group em Lisboa, que alerta para a necessidade de uma integração profunda de novas tecnologias nos modelos de negócio das empresas do setor.

“O setor dos pagamentos está num ponto de viragem. Sistemas baseados em inteligência artificial, moedas digitais e novas soluções de pagamento estão a ganhar relevância e vão obrigar as empresas a evoluir rapidamente se quiserem sustentar o crescimento”, afirma o responsável, numa análise apoiada nos dados mais recentes da BCG.

Segundo o Global Payments Report 2025, elaborado pela consultora, a receita global do setor deverá atingir 2,4 biliões de dólares até 2029, mas a taxa de crescimento anual deverá desacelerar para cerca de 4%, sensivelmente metade do ritmo observado nos últimos anos. Esta desaceleração reflete sobretudo o enfraquecimento das receitas associadas a depósitos, num contexto de maior maturidade dos mercados.

Apesar deste abrandamento, as receitas baseadas em transações deverão manter-se resilientes. O crescimento do comércio eletrónico, a maior utilização de cartões e a adoção progressiva de pagamentos instantâneos continuam a sustentar o setor, ao mesmo tempo que aceleram a convergência entre bancos, fintechs e grandes plataformas tecnológicas.

Em Portugal, a tendência é semelhante. A BCG estima que o crescimento anual das receitas de pagamentos no mercado nacional possa situar-se em torno de 1,8% até 2029, refletindo margens mais fracas, mas compensadas pela digitalização dos hábitos de consumo e pela valorização, por parte dos consumidores, da rapidez e integração dos pagamentos em tempo real.

Para Pedro Pereira, esta nova fase exige uma resposta estratégica clara. A eficiência operacional, a incorporação de inteligência artificial nos processos e a adaptação das propostas de valor ao cliente tornam-se fatores críticos num setor em que a inovação tecnológica avança mais depressa do que o crescimento das receitas.

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