Portugal investe quase 16 milhões em constelação de satélites para defesa e segurança

Portugal investe quase 16 milhões de euros numa constelação de satélites para reforçar defesa, segurança e capacidade de observação da Terra.

Imagem de David Mark por Pixabay

Projeto liderado pelo CEiiA no âmbito do PRR reforça a capacidade nacional de observação da Terra, com aplicações em defesa, proteção civil e sustentabilidade.

Portugal vai investir cerca de 15,98 milhões de euros no desenvolvimento da chamada Constelação do Atlântico, um projeto estratégico de observação da Terra integrado na Agenda Mobilizadora NewSpace Portugal, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A iniciativa é liderada pelo CEiiA, em articulação com a Força Aérea Portuguesa, e envolve várias entidades da indústria espacial nacional.

O projeto prevê a criação de uma constelação de satélites óticos e radar, com capacidade de muito alta resolução, destinada ao fornecimento de dados e serviços para áreas como defesa, segurança, prevenção e gestão de catástrofes, planeamento urbano e monitorização ambiental. A ambição passa por posicionar Portugal como fornecedor de serviços de observação da Terra num contexto europeu e internacional marcado por crescentes exigências de soberania e resiliência tecnológica.

A Constelação do Atlântico teve origem em 2019 e foi estruturada em três ciclos de investimento, orientados para a capacitação industrial nacional, transferência de conhecimento e desenvolvimento de competências avançadas no setor espacial. Nos dois primeiros ciclos, o foco incidiu no reforço da base tecnológica e na consolidação da indústria, recorrendo à experiência de parceiros internacionais.

Nesta fase, a dimensão nacional do projeto contempla 12 satélites ‑ nove óticos e três radar ‑ podendo evoluir até 16. A componente ótica será operada pela GEOSAT, permitindo a recolha de imagens com resolução inferior a 50 centímetros por pixel e tempos médios de revisita inferiores a três horas em qualquer ponto da superfície terrestre, viabilizando aplicações em quase tempo real.

A primeira geração de satélites óticos está a ser desenvolvida em Portugal pelo CEiiA e pela N3O, enquanto os satélites radar de primeira geração ficam a cargo do CTI Aeroespacial e da Força Aérea Portuguesa. Para acelerar o alargamento da constelação, foi lançado um concurso público internacional, que avaliou 34 propostas, tendo resultado numa parceria com a Satellogic, com forte componente de transferência de conhecimento para o consórcio nacional.

O projeto está alinhado com iniciativas europeias como o Copernicus e programas de resiliência espacial, tendo sido apresentado recentemente ao Comissário Europeu da Defesa e do Espaço. A sua reorientação para o domínio da defesa foi também assumida a nível político na 35.ª Cimeira Luso-Espanhola, realizada em 2024, refletindo a crescente centralidade do espaço na estratégia de segurança europeia.

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