Contratação pública trava acesso das PME digitais ao mercado europeu

Estudo europeu indica que a complexidade da contratação pública continua a afastar PME digitais, apesar da elevada maturidade tecnológica em Portugal.

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Um estudo sobre contratação pública na Europa indica que processos complexos continuam a limitar a participação das PME digitais, apesar da sua elevada maturidade tecnológica.

A contratação pública na Europa continua a representar um obstáculo significativo à entrada das PME digitais, apesar do elevado nível de adoção tecnológica destas empresas. Um estudo recente, realizado pela Strand Partners a pedido da Amazon Web Services (AWS), conclui que a simplificação e digitalização dos processos públicos poderiam gerar até 1,8 milhões de novos empregos e desbloquear cerca de 117 mil milhões de euros em Valor Acrescentado Bruto para as PME digitais europeias.

O relatório, baseado num inquérito a três mil PME digitais em vários países europeus, aponta um paradoxo estrutural: na Península Ibérica, 62% das PME utilizam inteligência artificial ou machine learning, valor acima da média europeia, e 60% recorrem a serviços de cloud computing, mas continuam a enfrentar dificuldades em aceder a concursos públicos, um mercado estimado em dois biliões de euros anuais.

Em Portugal e Espanha, 43% das PME digitais nunca consideraram participar em processos de contratação pública, um valor alinhado com a média europeia. Mais relevante, apenas 49% das empresas ibéricas veem este mercado como parte da sua estratégia de crescimento futuro, abaixo dos 57% registados no resto da Europa. A complexidade excessiva dos procedimentos, os elevados requisitos documentais e a rigidez dos critérios de qualificação surgem como os principais fatores dissuasores.

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Segundo o estudo, mais de sete em cada dez PME digitais europeias acabam por não participar, desistir a meio ou obter um retorno considerado insuficiente do investimento feito nos concursos públicos. Na Península Ibérica, embora a taxa de desistência seja inferior à média europeia, os motivos apontados mantêm-se semelhantes, com destaque para a complexidade administrativa e os custos associados à preparação das propostas.

Para André Rodrigues, responsável da AWS em Portugal, a simplificação dos processos poderia permitir um maior contributo das PME digitais para a modernização dos serviços públicos e para o crescimento económico. Ainda assim, o estudo sublinha que o problema é estrutural e exige mudanças nos modelos de contratação, de forma a torná-los mais acessíveis, previsíveis e coerentes à escala europeia.

As conclusões reforçam a ideia de que, sem uma reforma efetiva da contratação pública, a Europa continuará a subaproveitar o potencial das suas PME digitais, num contexto em que a inovação tecnológica e a competitividade económica dependem cada vez mais da capacidade de ligação entre o setor público e o tecido empresarial.

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