A IA como aliada estratégica na liderança moderna

A inteligência artificial está a mudar a forma como os líderes tomam decisões estratégicas. Eric Rossati explica por que razão a IA valida premissas, mas não substitui a liderança humana.

Na foto: Eric Rossati, vice-presidente da ServiceNow para North Latam

Eric Rossati, vice-presidente da ServiceNow para North Latam, defende que a inteligência artificial está a redefinir a forma como os líderes validam decisões, sem substituir o factor humano.

No contexto de mercados em rápida transformação, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de eficiência operacional para assumir um papel crescente na tomada de decisão estratégica. Em entrevista ao Empreendedor, Eric Rossati, vice-presidente de Vendas da ServiceNow para a região de North Latam, explica como os executivos de topo estão a integrar a IA nos seus processos de liderança. A conversa foi conduzida por Bruno Perin, no âmbito de uma reflexão mais ampla sobre liderança, cultura organizacional e decisão em ambientes de elevada complexidade.

Decidir melhor começa por saber dizer não

Para Eric Rossati, a diferença entre uma decisão estratégica sólida e uma aposta no escuro está, cada vez mais, na validação de premissas. “Uso a IA para validar premissas e visões, e para obter insights sobre cenários potenciais, sempre com o objetivo de suportar decisões”, afirma. Num mercado latino-americano em crescimento acelerado, onde as oportunidades surgem em múltiplas frentes, a capacidade de recusar investimentos de tempo e recursos torna-se tão crítica quanto a de avançar. A IA surge, neste contexto, como um consultor permanente, capaz de estruturar dados, teorias e hipóteses que ajudam o líder a transformar intuição em estratégia fundamentada.

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Do uso superficial à inteligência estratégica

Apesar da democratização das ferramentas de IA, Rossati identifica um desfasamento claro entre potencial e prática. “A maioria ainda usa a IA como se fosse o Google”, observa. Para o executivo, o verdadeiro valor emerge quando a tecnologia é aplicada à análise comportamental, à preparação de interações com conselhos de administração ou à antecipação de reações de decisores-chave. A diferença está menos na tecnologia e mais na qualidade das perguntas colocadas, substituindo a curiosidade básica por interrogações com impacto direto na estratégia.

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Liderar exige leitura cultural

Com experiência acumulada em vários países da América Latina e nos Estados Unidos, Rossati sublinha que a eficácia da liderança depende de uma compreensão fina dos contextos culturais. Os brasileiros, descreve, combinam destemor com necessidade de validação; os mexicanos revelam maior abertura à liderança estrangeira; os norte-americanos privilegiam pragmatismo e comunicação direta. Ignorar estas nuances, alerta, “compromete o alinhamento das equipas e limita o potencial de execução das estratégias” definidas.

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Humanidade como vantagem competitiva

Num ambiente cada vez mais mediado por dados e sistemas analíticos, o vice-presidente da ServiceNow defende que o elemento humano se torna ainda mais relevante. “É preciso ser humano com resultado”, resume. A tecnologia pode apoiar a análise e a medição da performance, mas não substitui a capacidade de motivar, compreender e criar ligações duradouras. O facto de várias das suas equipas o terem acompanhado ao longo de diferentes organizações é, para Rossati, a prova de que a liderança autêntica gera confiança para além das estruturas formais.

Na foto: Eric Rossati, vice-presidente da ServiceNow para North Latam

Uma revolução silenciosa na liderança

Na visão de Eric Rossati, empresas globais estão a ir além da simples adoção de IA, redesenhando os seus processos decisórios para integrar validação estratégica baseada em dados. O risco, contudo, está em implementar tecnologia sem rever a forma como se decide. A liderança eficaz do presente, conclui, combina análise avançada com sensibilidade humana, colocando a pergunta essencial: “a sua equipa segui-lo-ia para a próxima empresa?

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