Gestão de projeto – Como evitar andar atrás de quem não faz o seu trabalho

Se a equipa em que precisa de confiar está a falhar prazos, compromissos ou pura e simplesmente não está a produzir, pode estar na hora de arregaçar as mangas e… olhar bem para o seu próprio desempenho.

Susanne Madsen é coach de gestores de projecto e autora dos livros The Project Management Coaching Workbook e The Power of Project Leadership. Para Susanne, um dos factores que mais precisam de ser trabalhados nestas situações é a confiança. Para que os membros da sua equipa cooperem e se sintam parte do que está a acontecer, precisam de confiar em si, o gestor do projeto. Se a equipa não está a corresponder às suas expectativas, eis o que pode fazer:

Demonstrar competência

Tem de conseguir demonstrar, sem sombra de dúvida, que é excelente em gestão de projetos. Isso significa dominar todo o contexto no qual o projeto está inserido, mas também as ferramentas utilizadas, desde o momento do planeamento até ao relatório final. Por vezes não basta ser competente, é preciso que as pessoas à sua volta se apercebam disso. Tente perceber se está a dar-lhes oportunidade de o fazerem. Não é preciso andar a evidenciar as suas competências, apenas não fazer segredo delas. Estará a trabalhar de forma demasiado isolada relativamente ao resto da equipa?

Desenvolver a empatia

Demonstre que tem a capacidade de se colocar no lugar do outro. Passe algum tempo com cada um dos seus colaboradores. Se estão a trabalhar à distância, lembre-se de lhes telefonar ou fazer uma videochamada. Saiba como estão, que desafios estão a enfrentar e procure fazer parte das soluções. Desta forma os membros da equipa, seja qual for a sua posição hierárquica, vão valorizá-lo mais, e confiar mais em si. Afinal, todos sentimos mais empatia por quem demonstra que se preocupa connosco. Estará a investir na relação com os seus colaboradores?

Reforçar a honestidade

Com certeza os seus colaboradores não pensam em si como uma pessoa desonesta. No entanto, há pequenas coisas que fazemos que desafiam a confiança na nossa honestidade. Por exemplo, quando avançamos uma data limite para uma tarefa sem pensarmos muito bem no assunto – ‘sim, eu dou-te isso amanhã’, ‘sim, na sexta eu ligo e trato disso’. Embora o faça inadvertidamente, no meio de uma conversa, a verdade é que estabeleceu um compromisso e quando ele não é cumprido está a enviar um sinal de desonestidade. A confiança em si, logo, diminui.

Estará a ser pouco exigente consigo mesmo neste campo?

Apostar na comunicação

O progresso do projeto tem de ser comunicado de forma muito clara. Os vários intervenientes devem saber, a cada momento, o que está a acontecer e como podem e devem contribuir para a evolução do projeto. As suas intenções sobre o que espera de cada um devem ser transmitidas sem margem para dúvida. Só assim pode esperar que a colaboração seja eficaz. Estará na hora de rever a frequência e o modo como está a comunicar?

Criar envolvimento

Se sente que as pessoas estão a trabalhar de costas voltadas ou que o espírito de equipa podia ser melhor, experimente chamá-las a participar nos processos de decisão. Faça reuniões periódicas sobre o projeto, peça opiniões e tenha-as em conta no desenrolar do processo.

Delegar em vez de mostrar como se faz

Partindo do princípio de que está a trabalhar com pessoas experientes e capazes profissionalmente, deve dar-lhes autonomia suficiente para fazerem o seu trabalho. Converse sobre o resultado que pretende alcançar e as tarefas a desenvolver, mas não se alongue sobre os ‘quês, comos e porquês’ necessários para atingir esse resultado. Essa postura pode ser interpretada como condescendente e como uma perda de tempo, e é, mais uma vez, pouco inspiradora de confiança.

Em suma, antes de ter aquele ataque de fúria com o colaborador que se atrasou com um prazo, ou simplesmente não fez o que lhe tinha pedido, pense bem. Até que ponto será sua a responsabilidade, enquanto gestor de projeto?

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