Profissionais receiam que as tecnologias do trabalho invadam a vida pessoal

Foto de Jonas Leupe no Unsplash

O Observatório de Liderança e Bem-estar da Universidade Nova SBE apresentou os resultados do estudo sobre o uso da tecnologia no trabalho. Na pesquisa, 52% dos profissionais admitem que as tecnologias invadem a sua vida pessoal e 25% receiam que a dependência tecnológica possa ter consequências negativas na sua saúde.

O crescente impacto da tecnologia no trabalho, agravado pelos recentes períodos de confinamento e consequente generalização do teletrabalho, motivou os investigadores Filipa Castanheira, Pedro Neves e Inês Dias da Silva, do Observatório de Liderança e Bem-estar da Nova SBE, a desenvolverem o Estudo “Tecnostress – Uso da Tecnologia e Bem-estar no Contexto do Trabalho”.

Focado no stress resultante de uma utilização inadequada das tecnologias de informação e comunicação (TICs), os resultados apresentados revelam que uma parte substancial dos inquiridos sente níveis elevados de tecno-sobrecarga e tecno-invasão, com 47% a reconhecerem ter de mudar os hábitos de trabalho para se adaptarem às tecnologias móveis e 52% a sentirem que a sua vida pessoal é invadida devido a estes dispositivos.

Partindo do atual contexto pandémico e da hipótese de se manterem soluções de teletrabalho sustentadas pelo uso destas ferramentas, a equipa de investigadores procurou perceber como o stress, ligado à tecnologia móvel em contexto laboral, impacta a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, assim como identificar os grupos demográficos em maior risco de desenvolver efeitos secundários adversos como a dependência da tecnologia, exaustão e outros sintomas físicos e psicológicos.

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Entre as principais conclusões, o estudo revela que uma parte substancial dos inquiridos sente níveis elevados de tecno-sobrecarga (35%) e tecno-invasão (42%), sendo que são os homens quem reporta maior percentagem de queixa nestes critérios.

Os níveis de tecno-stress têm também expressão na saúde e bem-estar, estando a invasão e sobrecarga das tecnologias associadas a queixas psicossomáticas e exaustão emocional, uma ou duas semanas após a exposição. Juntas explicam mais de 25% da variabilidade dos indicadores de saúde e bem-estar analisados.

Este efeito resulta, segundo o estudo, principalmente do aumento da dependência das tecnologias e não da redução da motivação dos indivíduos, sendo que a dependência manifesta-se em comportamentos tais como negligenciamento de atividades importantes, incapacidade de descansar, discussões sobre o uso da tecnologia e empobrecimento da vida social.

O Observatório de Liderança e Bem-estar da Nova SBE reuniu algumas recomendações ao nível sistémico, organizacional e individual, no sentido de melhorar a saúde e o bem-estar no contexto do trabalho. Como resultado da investigação realizada, a equipa sugere o desenvolvimento de políticas organizacionais para gerir o papel das tecnologias na sobrecarga e invasão, através de legislação e regulamentação interna em linha com a que foi recentemente publicada em Portugal que regula o contacto do empregador fora de horas de expediente.

Também é proposta a formação das chefias sobre o potencial impacto negativo das culturas sempre conectadas e a capacitação dos indivíduos para a gestão ativa das fronteiras entre o trabalho e a vida pessoal.

O estudo “Tecnostress – Uso da Tecnologia e Bem-estar no Contexto do Trabalho” foi realizado entre fevereiro de 2020 e outubro de 2021 através de mais de 4.000 questionários online, confidenciais e anónimos, a uma amostra de conveniência em que 51% são do sexo feminino e 49% do sexo masculino. Quanto à idade, os indivíduos representados pertencem em 30,6 % ao grupo geracional dos Baby Boomers, 34,8% pertencem à geração X, 28,1% são Millenials e 6,5% correspondem à geração Z.

A grande maioria dos participantes (62,1%) é de proveniência portuguesa e desenvolve a sua atividade profissional em um de três sectores: 9% da amostra está empregado na indústria, como a farmacêutica ou alimentar, 41% representa trabalhadores da prestação de serviços como consultoria, saúde ou vendas e 50% da amostra desenvolve atividades ligadas à informação, ciência e tecnologia.

O Observatório de Liderança e Bem-estar é um organismo da Nova SBE que desenvolve investigação baseada em evidência empírica para informar os líderes das organizações e legisladores sobre temas como o clima organizacional e liderança, com o intuito de gerar mudança positiva no contexto do trabalho.

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