Máscara e distanciamento social entraram nos hábitos dos portugueses

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66% dos portugueses dizem sentir-se confortáveis com o uso da máscara de proteção Covid, e que isso não os impede de participar em atividades sociais. Essa foi a mudança mais significativa do estudo sobre “Hábitos do Consumidor Português”, desenvolvido pela Boston Consulting Group (BCG). Na pesquisa foram analisadas as perspetivas dos portugueses sobre o futuro da pandemia, assim como a forma como o seu quotidiano foi afetado nas áreas das atividades essenciais e lazer; de poupança e despesa; de hábitos digitais; de habitação e trabalho e de saúde, e de sustentabilidade.

Apenas 5% dos inquiridos diz que evita sair de casa, por causa da pandemia, enquanto uma clara maioria sente que “o pior já passou”. Ainda assim, apesar do otimismo, os inquiridos dizem manter as precauções e planeiam alterar os seus comportamentos face ao período pré-pandemia. O estudo revela que 43% dos portugueses pretendem passar mais tempo com a família do que anteriormente e 47% dizem que irão com menor frequência a discotecas.

Com os confinamentos e as precauções com o distanciamento social, os consumidores pretendem fazer mais compras online (38%), e utilizar menos os transportes públicos (34%). Em contrapartida passam mais tempo em redes sociais e a percentagem de pessoas que as utilizaram durante mais de uma hora por dia aumentou perto de 10 p.p., quando comparado com o período pré-pandemia.

Também cresceu a utilização de plataformas de streaming de vídeo e áudio, com a percentagem de pessoas que utilizaram estes serviços mais de uma hora por dia a chegar aos 53%, cerca de 15 p.p. acima do registado em período pré-pandémico.

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Utilização de redes sociais aumenta durante a pandemia

Outra mudança significativa no comportamento dos portugueses, durante a pandemia, foi a poupança, com 41% dos portugueses a dizer que conseguiu poupar mais do que em anos anteriores. Quanto à alocação do capital, 60% indica que será para guardar para o futuro, 31% pretende viajar, 28% quer investir num imóvel e 26% considera investir em produtos financeiros, sendo que um em cada quatro portugueses diz estar interessado neste tipo de serviços de aplicação de capitais.

Ainda em período de pandemia, verificou-se um aumento de gastos sustentado em veículo pessoal, educação e soluções de investimento. Também as categorias de despesas como animais de estimação ou entretenimento em casa registaram um aumento, mas de uma forma que se prevê temporária. Por outro lado, algumas categorias caíram temporariamente, como as despesas em restauração ou vestuário, e é expectável que outras venham a ter um peso menor no futuro dos portugueses, tais como bens de luxo e transportes públicos.

“É essencial compreender as mudanças no comportamento dos consumidores portugueses após quase dois anos de pandemia para se desenharem as estratégias nos vários setores para o próximo ano. A incerteza que ainda marca o futuro da pandemia obriga a que as empresas, marcas e serviços mantenham a sua flexibilidade para se adaptarem ao que o contexto exigir, contudo, estes dados recolhidos e analisados pela BCG permitirão definir alguns caminhos para ir ao encontro das necessidades, desejos e tendências em Portugal”, afirma Pedro Pereira, Managing Director e Partner na Boston Consulting Group.

Viajar é o sonho para a pós-pandemia

Após quase dois anos de incerteza em relação ao impacto da pandemia nos voos e nas restrições de chegada e partida, 56% dos inquiridos espera viajar mais no pós-pandemia do que anteriormente, e 79% imagina-se mesmo a fazer uma viagem no próximo ano. Estas, por sua vez, serão mais longas, com 46% dos respondentes a querer viajar mais de 10 noites – muito acima do valor de 34% observado em pré-pandemia. No entanto, apesar das intenções, existe ainda um receio de serem infetados ou impedidos de regressarem a casa, e 74% das pessoas afirmam que só irão viajar em lazer quando se sentirem financeiramente mais seguras.

Sobre a forma como se efetuam os pagamentos, acentuou-se a tendência de abandono do dinheiro físico enquanto o setor bancário viu crescer a penetração no digital no através de serviços online banking (23%) e de aplicações móveis (21%). Esta mudança para o digital pode estar relacionada com o aumento das compras online, sendo que 44% dos portugueses recorreram mais ao e-commerce, comparando com o período pré-pandemia. Entre os motivos para esta escolha destacam-se os melhores preços/descontos (53%) e o evitar de multidões (51%).

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Trabalho em modelo híbrido ou remoto ganha popularidade

O regresso ao trabalho continua a ser uma incógnita para empregadores e colaboradores, com 64% da população a afirmar sentir-se confortável ou indiferente a trabalhar presencialmente, mas apenas 36% a preferir um modelo totalmente presencial. Esta preferência por modelos com componentes remotas pode estar relacionada com três sentimentos gerais, nomeadamente o de 31% das pessoas sentirem que são mais produtivas a trabalhar de forma totalmente presencial; a vontade de utilizar o tempo livre “extra” para estar com a família (58%), cuidar da casa (49%) e praticar desporto (45%), e, por último, as reservas que 10% da amostra mostra em voltar a utilizar transportes públicos.

Com os novos modelos de trabalho, muitos trabalhadores ponderam mudar-se para outras regiões, fora das grandes metrópoles. O estudo refere que, apesar de 45% dos portugueses quererem mudar de residência, procurando uma melhor qualidade de vida, uma habitação maior, devido à troca de emprego ou para baixar o custo de vida. No entanto,  apenas 16% conseguiu fazê-lo durante a pandemia.

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Um em cada cinco portugueses sente-se psicologicamente instável

O estudo da Boston Consulting Group destaca ainda a deterioração da saúde mental dos portugueses em resultado da pandemia, registando-se um aumento de 9% para 20% de pessoas que se sentem instáveis psicologicamente. Entre os principais recursos utilizados pelos inquiridos para inverter este sentimento, destaca-se a prática de meditação e as consultas de Psicologia.

A maioria dos portugueses reconhece ainda que passou a dar maior importância à saúde mental e física, à família, à estabilidade financeira e ao crescimento pessoal. Também a preocupação com o meio ambiente cresceu, com 33% das pessoas a declararem-se mais preocupados com a adoção de comportamentos sustentáveis, o que se materializa na alteração de alguns comportamentos, como a utilização de sacos reutilizáveis (49%) e a utilização de embalagens reutilizáveis (36%).

A pesquisa foi realizada pela Boston Consulting Group (BCG), uma empresa de consultoria de gestão, especialista no aconselhamento sobre estratégia de negócios. O estudo decorreu entre 18 e 22 de novembro de 2021, tendo sido inquiridos 1.000 portugueses de todas as idades, géneros e regiões para compreender como estes alteraram e esperam alterar os seus hábitos de consumo e vivência num futuro próximo, devido à Covid-19.

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