Liderar para todas as gerações

Imagem de Fahriba Abdullah em Pixabay

Do ponto de vista da gestão, atualmente, vivem-se momentos desafiadores advindos de mudanças económicas, sociais, políticas e da constante inovação tecnológica.

Os líderes do século XXI estão inseridos num mercado globalizado com conteúdo oriundo das mais diversas origens e com uma necessidade constante de superação dos mais díspares paradigmas. Perante este contexto, um dos maiores desafios dos gestores de hoje é saber como liderar para gerações diferentes, com perfis diferentes.

Longe vão os tempos em que era suficiente aplicar os conhecimentos adquiridos com os anos de experiência. Hoje, para ser um bom líder, precisa conhecer os diferentes perfis dos seus recursos humanos para pôr em prática a tarefa de liderar diferentes gerações.

Os líderes de hoje precisam de estar mais abertos ao diálogo e ter a capacidade de gerir as mais diversas questões que surgem na sua organização, com culturas diferentes e complexas. Perante a diversidade, como lidar com ela? Como liderar com gerações diferentes?

Por forma a abordar, de uma forma mais clara, o tema da convivência intergeracional, é importante enquadrar as características de cada uma das gerações. Desde já destaco quatro gerações que fazem parte da nossa sociedade e, mais concretamente, das organizações: Baby Boomers, Geração X, Millennials ou Geração Y e a Geração Z.

Baby Boomers (Foto de Logan Weaver no Unsplash)

A geração Baby Boomers resultou da explosão demográfica (daí a designação Baby Boomer) causada pela Segunda Guerra Mundial e que vai até 1960. É constituída por indivíduos que estão agora na faixa etária dos 53 aos 71 anos. Estes caracterizam-se por terem uma educação mais rígida, são mais leais, possuem um padrão de vida estável, procuram a segurança, a prosperidade, preferem a qualidade e não a quantidade, sabem o que querem, não são influenciados por terceiros, procuram a estabilidade social e ambicionam uma carreira sólida.

A nível de comunicação esta geração foi a primeira a ter uma televisão e, como tal, esta continua a ser o seu canal principal. No entanto, a maioria dos Baby Boomers já utiliza o computador, como ferramenta diária, utilizando, inclusivamente, as redes sociais e o e-mail como meios de comunicação. A melhor forma de lidar com esta geração é comunicar de forma clara, direta, sem rodeios, e sem deixar dúvidas no ar.

Geração X (Foto de Jason Goodman no Unsplash)

A geração X é constituída por indivíduos que estão na faixa etária dos 37 aos 52 anos, nascidos entre o início dos anos 60 e fim dos anos 80. Filhos da geração Baby Boomer, estes indivíduos são caracterizados por serem mais rebeldes para os padrões até então estabelecidos, ansiando por romper com as regras e valores das gerações anteriores, lutam mais pelos seus direitos e procuram a liberdade. Aliás, a designação de “X” advém, exatamente, do facto de quererem estudar mais para entenderem os seus comportamentos, tão “estranhos” para a época.

Esta geração acompanhou de perto choques culturais, mudanças nos padrões da sociedade e fez parte das grandes mudanças no campo tecnológico, ao passarem pela “banalização” dos computadores pessoais e da utilização internet. Profissionalmente, esta geração possui uma visão mais criativa e inquiridora. Quando comunicar com esta geração seja pragmático, “straight to the point” porque esta geração, sendo muito informada, não gosta de perder tempo com discursos banais e com rodeios. Vá direto ao assunto.

Geração Y (Foto de Kaleidico no Unsplash)

“Multitasking”, a geração Y é constituída pelos filhos da geração X e pelos netos da geração Baby Boomer.  Nascidos entre 1980 e 2000, a sua faixa etária vai dos 23 aos 36 anos. Esta geração também é conhecida por ser a geração Millennial, porque nasceram exatamente na mudança do milénio. Profissionalmente, são indecisos, dispersos e procuram um propósito maior nas suas atividades no ambiente de trabalho.

Estes indivíduos, que nasceram num ambiente de grande fluxo de informação, são conhecidos por procurarem a conectividade, o rigor e por terem dado início à vaga de empreendedorismo e das startups. Para eles, o mais importante é ser feliz ao invés de terem dinheiro. Não têm interesse em permanecer em empregos cuja possibilidade de desenvolvimento e de inovação criativa é limitada. Os seus gostos focam-se em computadores, em vez dos livros, vivem em redes sociais e estão numa procura incessante de novas tecnologias.

Comunicar com esta geração é um verdadeiro desafio: tem de ser breve, mas preciso (por norma, tudo o que passar dos 140 carateres é excessivo!), evite formalismos e floreados. Detentores de muita informação, facilmente disponível à distância de um clique, estes indivíduos estão muito conscientes dos problemas do mundo e o seu foco é a responsabilidade social das organizações e a forma transparente como comunicam para o exterior.

Geração Z (Foto de Guilherme Stecanella no Unsplash)

Por fim, a geração Z engloba indivíduos até aos 22 anos, nascidos até 2010. Esta geração já nasceu com a internet e a comunicação entre eles é feita através de telemóvel, com predominância no envio de mensagens escritas, por ser uma comunicação mais direta e rápida.

Muito parecidos com a geração Y, esta geração está sempre online e preocupa-se com o meio ambiente, a sustentabilidade e a responsabilidade social. À semelhança dos Millennials querem participar ativamente e dar o seu feedback, em todas as questões e gostam de se sentir úteis. Para os liderar tem de ser extremamente breve, porque a sua atenção é extremamente reduzida e só interiorizam oito segundos. O seu discurso deve ser autêntico e natural, porque só desta forma é que se conseguem identificar.

O ser humano, per si, já é altamente complexo, como é do conhecimento geral, mas inserido nesta diversidade de gerações ainda parece ser mais complicado geri-los, mas no fundo, um bom líder só tem um caminho a tomar: ser humano e ter empatia suficiente para compreender cada geração.

Preocupe-se em conhecer os seus liderados, tente saber o que os move, as suas ambições. No fundo só tem de saber fazer pontes, dialogar e otimizar a sinergia do grupo através da valorização das habilidades individuais de cada colaborador.

Monte grupos de trabalho especializados e faça uso do conhecimento de cada um e procure a inovação, numa perspetiva de integração. Saber fazer esta gestão é uma mais-valia para que a sua empresa tenha mais ferramentas para saber lidar com os desafios de uma sociedade cada vez mais dinâmica, plural e exigente.

Independentemente da geração a que cada um pertence tem de haver um alinhamento, uma visão estratégica e global que envolva todos. Só assim irá obter o respeito, autoridade e admiração dos seus liderados.

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